O Papel Fundamental do Agronegócio em Cuiabá
Esta semana, Cuiabá celebra 307 anos desde sua fundação, um marco que destaca não apenas sua história, mas também sua relevância como capital do agronegócio no Mato Grosso. O povoamento de Cuiabá começou no século XVIII, motivado pelas expedições dos bandeirantes paulistas em busca de metais preciosos. A descoberta de ouro em aluvião por Pascoal Moreira Cabral em 1718 foi um evento crucial para a região. A fundação oficial ocorreu em 8 de abril de 1719, quando Cabral assinou a ata de fundação do Arraial da Forquilha, que três anos depois, com a descoberta de jazidas ainda mais ricas por Miguel Sutil no córrego da Prainha, transformaria-se em um centro de atração para muitos. Isso impulsionou o desenvolvimento da agropecuária local, criando uma demanda por alimentos e animais de trabalho.
Embora a fase de mineração tenha sido breve, entre 1722 e 1730, ela teve um impacto duradouro na configuração urbana de Cuiabá, que se consolidou como vila e, posteriormente, se tornou a capital da Capitania de Mato Grosso em 1748, ganhando status definitivo em 1835, já no Império do Brasil. O século XX trouxe novas transformações significativas para Cuiabá, particularmente com a migração de mais de 100 mil gaúchos para o estado, que contribuíram para a formação de lideranças em diversos setores, não apenas no agronegócio, mas também na administração e na política nacional.
A Atuação das Entidades do Agronegócio
Cuiabá abriga diversas entidades do setor agropecuário, como a Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Aprosoja e Abrapa. Essas organizações desempenham um papel vital como elo entre os produtores e os governos estadual e federal, promovendo o desenvolvimento contínuo do agronegócio na região. Mato Grosso é um pilar essencial da economia agropecuária brasileira, destacando-se no agronegócio, tanto na produção quanto na geração de divisas externas. Em 2025, o estado foi responsável por cerca de 27,7% de toda a exportação agropecuária do Brasil.
A liderança do Mato Grosso se reflete nas exportações de diversos produtos. No algodão, o estado teve um desempenho notável, respondendo por 68% das exportações no primeiro semestre de 2025. No milho, sua participação foi de 34,4%, e o Mato Grosso se destacou como o maior exportador de carne bovina do Brasil, com um recorde de 980 mil toneladas embarcadas no mesmo ano. A agropecuária é responsável por 34% de toda a riqueza gerada no estado, e ao incluir toda a cadeia do agronegócio, esse percentual ultrapassa 50%. É importante ressaltar que Mato Grosso detém a maior fatia do Valor Bruto da Produção Agropecuária do Brasil, respondendo por 15,9% do faturamento do setor no país e apresentando taxas de crescimento do PIB superiores à média nacional.
Cuiabá: Centro Logístico e Geodésico
Cuiabá é reconhecida como o centro geodésico da América do Sul e um ponto estratégico para o transporte de commodities, cuja relevância é crucial para o PIB brasileiro. Como coração administrativo e logístico do Mato Grosso, a cidade desempenha funções essenciais para o setor agropecuário, que se espalha pelo interior do estado. Além disso, Cuiabá se destaca como o principal centro de serviços especializados, assistência técnica e comércio do agronegócio regional, concentrando usinas de etanol de milho e indústrias para o beneficiamento de soja, algodão, milho e carne bovina. A região, conhecida como Baixada Cuiabana, possui mais de duas mil propriedades de agricultura familiar, muitas dedicadas à produção de hortifrutigranjeiros.
Em 2025, Cuiabá se destacou no ranking de competitividade entre as capitais brasileiras, liderando em áreas como capital humano e inserção econômica. Além de sua forte atuação no agronegócio, a cidade atua como um polo regional de saúde avançada e educação, atraindo consumidores de todo o estado. Essa combinação de fatores reafirma a importância de Cuiabá não apenas como uma capital histórica, mas também como um centro dinâmico e vital para o desenvolvimento do Mato Grosso.
Assim, parabenizamos os cuiabanos, tanto aqueles que nasceram na cidade quanto os que a adotaram. Um agradecimento especial vai ao setor agropecuário e aos empreendedores que contribuíram e continuam a contribuir para a prosperidade do Mato Grosso!
O autor deste artigo, Evaristo de Miranda, foi pesquisador da Embrapa por 42 anos, além de ser escritor, doutor em Ecologia e membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA.
