Inovações da Empaer Revolucionam o Campo em Cotriguaçu
A visita de pesquisadores da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) ao município de Cotriguaçu trouxe um novo ânimo aos produtores locais. Uma das propriedades visitadas foi a “Cia do Mel”, de Roneilton Oliveira. Juntamente com sua esposa, Josy Oliveira, Roneilton vive na propriedade há 14 anos e tem se destacado pela diversificação da produção e pelo comprometimento com práticas sustentáveis. O cuidado com a natureza, aliado à produção, chamou a atenção da equipe da Empaer.
Para Roneilton, a aproximação com os pesquisadores e a colaboração com a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf/MT) são cruciais para o desenvolvimento da agricultura local. Ele enfatizou a importância de mostrar aos agricultores que até pequenas áreas, como uma ou duas hectares, podem ser lucrativas. “Precisamos incentivar mais pessoas a se dedicarem à produção. Cotriguaçu está preparado para a cultura do café”, comentou o produtor.
Nos últimos sete anos, o Governo de Mato Grosso, através da Seaf, investiu aproximadamente R$ 9,5 milhões em máquinas e implementos agrícolas. Com a adição de dois tratores fornecidos pela Empaer, que totalizam R$ 272 mil, os recursos aplicados na região ultrapassam R$ 9,7 milhões, reforçando o suporte aos agricultores.
A visita dos pesquisadores faz parte da Rota do Café, uma iniciativa que envolve a Empaer e seus parceiros, e que apresentou os resultados de um estudo realizado ao longo de cinco anos. Durante esse período, 50 clones de café foram avaliados, visando identificar as variedades mais adaptadas e produtivas para as regiões Noroeste e Norte de Mato Grosso.
Roneilton, inicialmente apaixonado pela apicultura, entrou no ramo quase por acaso. Ele recorda que, após participar de uma capacitação sobre produção de mel, ficou fascinado pela atividade. “Na quinta-feira eu descobri a apicultura, e na sexta já fiz minha primeira captura. A vida nos apresenta oportunidades de formas inesperadas”, relembrou ele.
Com o tempo, conhecendo as vantagens do cultivo de café clonal, ele decidiu diversificar ainda mais sua produção. Hoje, em uma área total de quatro hectares, Roneilton dedica dois hectares ao café, já contabilizando seis safras até o momento. Para ele, as duas atividades se complementam de maneira eficaz.
A proximidade entre o apiário e o cafezal gerou resultados promissores. Ao colocar as abelhas perto do café, Roneilton observou um aumento significativo na produção de mel, conseguindo vender cerca de 200 quilos em uma safra. “A florada do café é essencial, pois as abelhas fazem a polinização, beneficiando a produção de mel,” explicou.
Atualmente, sua produção de mel varia de 600 quilos a uma tonelada por ano. Todo o processo, desde a extração até a rotulagem, ocorre dentro da propriedade, com o produto sendo comercializado na própria região. “Nossos produtos são de qualidade. É o mesmo mel que meus netos consomem e que chega às mesas de Cotriguaçu”, destacou Roneilton.
No que diz respeito ao café, as expectativas são igualmente otimistas. Roneilton acredita que nesta safra poderá colher entre 70 e 80 sacas de 60 quilos, mesmo trabalhando quase sozinho. Ele ressalta que o progresso da atividade agrícola depende de organização e incentivo. “Precisamos nos unir, talvez formando associações, para agregar valor aos nossos produtos e melhorar a renda,” avaliou.
O produtor também reitera a importância de oferecer apoio ao pequeno agricultor. “O que queremos não é a caridade, mas sim condições para produzir. O restante, o agricultor faz por conta própria,” comentou. Ele ainda pôde notar o crescente interesse de empresas internacionais por máquinas agrícolas voltadas à agricultura familiar, o que pode facilitar a mecanização e elevar a produtividade.
Outro ponto apontado por Roneilton é a necessidade de melhorias na infraestrutura. Ele recorda que a pavimentação e a construção de pontes transformaram a realidade local. “Quando eu era criança, falava-se muito sobre a integração da região Noroeste, mas isso só começou a acontecer agora. Depois de mais de 40 anos, temos estradas que realmente mudam tudo. Isso nos permite pensar em novas atividades, como a piscicultura,” afirmou.
Os pesquisadores da Rota do Café já realizaram visitas em municípios como Colniza, Aripuanã, Cotriguaçu e Juína, levando orientações técnicas e apresentando os resultados diretamente aos produtores rurais. As últimas palestras estão agendadas para Nova Bandeirantes, no dia 8 de abril, e em Nova Monte Verde, no dia 9 de abril, ambas com horário das 7h às 11h45.
