A Nova Exposição que Une Arte e Natureza
O Museu de História Natural de Mato Grosso abrirá suas portas, no próximo dia 2 de abril, para a exposição “Casulos”, que traz a assinatura da artista Cândida Ferreira. Com duração até 5 de junho, a mostra apresenta obras inéditas em cerâmica que foram criadas a partir de pesquisas com materiais naturais e processos orgânicos. A abertura está marcada para as 19h.
Cândida Ferreira, que já deixou sua marca em instituições renomadas como a Universidad de los Andes e a Universidad Nacional de Colombia, traz para esta exposição uma trajetória que alia criação, pesquisa e ensino. Atualmente, ela tem seu ateliê localizado em Nossa Senhora do Livramento, onde se dedica a investigações que valorizam o território e o uso de matérias-primas locais. “Ainda que tenha estudado em outros lugares, minha carreira acadêmica e artística começou no Mato Grosso”, revela a artista.
A proposta de “Casulos” nasceu de estudos com argilas selvagens e esmaltes de cinzas, além da incorporação de estruturas naturais, como ninhos e cupinzeiros. Cândida sugere, com isso, uma nova perspectiva nas relações entre o humano e o natural, rompendo com hierarquias convencionais e reconhecendo a capacidade criativa de outras formas de vida. “São seres vivos que também constroem com barro”, resume a artista.
Diálogo entre Seres Vivos e Arte
A exposição se insere no contexto da ecoarte, onde a ideia de cocriação na cerâmica é explorada por meio de um diálogo entre práticas humanas e construções realizadas por insetos e aves. A proposta é um convite ao público para mudar a perspectiva, valorizando a estética de estruturas que muitas vezes passam despercebidas no cotidiano. “De repente, está esse serzinho ali trabalhando com você, criando junto com você”, compartilha Cândida.
Com um caráter imersivo, “Casulos” também apresenta uma videoarte sobre a artista e sua criação, produzida pelo cineasta Pê Mutz, além de uma paisagem sonora composta por Estela Ceregatti, enriquecendo ainda mais a experiência sensorial dos visitantes. “O que era para ser um documentário convencional sobre meu processo criativo se transformou em uma videoarte com uma poética muito visual”, explica Mutz, enfatizando as relações entre a artista, o barro e outras formas de vida como foco do trabalho audiovisual.
Programação Interativa e Inclusiva
A programação da exposição inclui atividades gratuitas voltadas para o público, como oficinas de cerâmica e ecoarte conduzidas por Cândida Ferreira e Ruth Albernaz. Essas oficinas abordarão teorias e práticas sobre materiais naturais, além de discutirem processos de criação e educação ambiental. Também será promovida uma oficina de escrita crítica de arte com a jornalista Tatiane de Assis, da revista Piauí, e haverá encontros e mesas-redondas que conectarão artistas, biólogos e pesquisadores para discutir as relações entre arte, ciência e meio ambiente.
Entre os objetivos do projeto, estão a ampliação da consciência estética das formas naturais, o fomento a debates sobre sustentabilidade e responsabilidade ambiental, e o fortalecimento do diálogo entre arte contemporânea, ecologia e práticas tradicionais. Cândida enfatiza que as obras se conectam aos ciclos da natureza: “é pensar numa obra que pode voltar a ser terra”.
Além da exposição em si, “Casulos” contará com a instalação colaborativa “Coração Pantaneiro”, que será construída com a participação do público durante as oficinas, e ainda prevê a criação de um catálogo em versões impressa e digital, ampliando o alcance da proposta.
Realizado com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei Aldir Blanc, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel), o projeto recebeu financiamento no Edital nº 18 – SECEL MT PNAB Viver Cultura – Ciclo I – Artes Visuais 2025. Comprometido com a inclusão, “Casulos” oferecerá recursos de acessibilidade, como audiodescrição, intérprete de Libras e materiais com linguagem acessível.
Serviço
Exposição Casulos
Artista: Cândida Ferreira
Abertura: 2 de abril de 2026 (quarta-feira), 19h
Período de visitação: de 2 de abril a 5 de junho de 2026
Local: Museu de História Natural de Mato Grosso
