Pré-candidata esquiva sobre alianças políticas
A pré-candidata ao governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko, do PSD, se esquivou de se posicionar diretamente sobre uma possível união entre Pedro Taques, do PSB, e Carlos Fávaro, do PSD, visando as duas vagas ao Senado em 2026. Durante uma entrevista ao programa Jornal do Meio-Dia na semana passada, a médica enfatizou que as decisões a respeito de alianças não são pessoais, mas sim coletivas, competindo à federação partidária.
“As alianças que formaremos serão definidas pela Federação Brasil da Esperança, que reúne os partidos do campo progressista”, comentou Natasha. Quando questionada repetidamente, a pré-candidata optou por não apoiar abertamente a parceria entre Taques e Fávaro, limitando-se a afirmar a importância de uma base política mais ampla. “Eu respeito muito o senador Pedro Taques, que considero um excelente senador da República. Entretanto, essa é uma decisão que não cabe a mim. O ideal é que quanto mais partidos formarem essa frente progressista, melhor será para todos nós”, declarou.
Divisão interna e resistências
A declaração de Natasha surge em um momento de tensões internas, após o presidente nacional do PT, Edinho Silva, anunciar Taques como pré-candidato ao Senado em um evento ao lado do presidente Lula, programado para dezembro de 2025. Fávaro, por outro lado, afirmou que não foi consultado sobre a estratégia da Federação Brasil da Esperança, que inclui o PT, PV e PCdoB, e que tem buscado expandir sua influência com outros partidos aliados, como o PSD e o PSB, buscando criar um bloco forte para as próximas eleições em Mato Grosso.
A forma como essa articulação tem sido conduzida, “de cima para baixo”, não agradou a todos no PT mato-grossense, gerando reações como a do deputado Lúdio Cabral, que considerou a abordagem um erro estratégico. “Discutir a segunda vaga do Senado sem a participação de Fávaro, que é senador, ministro e uma das principais lideranças do nosso campo, não faz sentido. Alguém deve ter informado mal o Edinho sobre a realidade política de Mato Grosso”, criticou Cabral, acrescentando que a conversa deveria ocorrer de forma mais inclusiva.
Fávaro promove diálogo entre as correntes
No início de março, Carlos Fávaro também se posicionou para tentar suavizar as relações entre os aliados. Ele defendeu a pluralidade de candidatos nas eleições, afirmando: “Nas duas ocasiões que disputei ao Senado, tínhamos 11 candidatos na disputa. Isso é um sinal de força da democracia. Quanto mais candidatos houver, mais opções para o eleitor e para a população escolher.”
Um histórico de desavenças entre Taques e Fávaro
A história política entre Taques e Fávaro é marcada por momentos de tensão. Taques, que antes de se tornar senador foi procurador da República e governador de Mato Grosso, enfrentou uma crise significativa durante seu governo, que culminou em uma greve ampla do funcionalismo público. Sua saída foi marcada por rejeição entre os servidores e uma derrota nas eleições subsequentes para Mauro Mendes, do União Brasil. Mais de uma década após esses eventos, Taques busca retomar seu lugar no Senado.
Nos bastidores, a possibilidade de uma reaproximação entre os dois políticos é observada com interesse, especialmente levando em conta o rompimento que ocorreram após terem sido eleitos juntos em 2014. A relação deteriorou-se no final do mandato, especialmente após a saída de Fávaro do governo, que se deu em um contexto crítico conhecido como “grampolândia pantaneira”.
Apesar de suas divergências passadas, aliados de ambos os lados estão trabalhando para articular uma chapa que tenha o apoio explícito ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visando conquistar as duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
