Saúde em Cuiabá: Um Custo Elevado para o Município
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), trouxe à tona uma questão sobre o financiamento da saúde pública na capital. Durante a inauguração da Unidade da Família do Pedregal, ele enfatizou que o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) não é realmente gratuito para o município, sendo uma das maiores despesas do orçamento local. Abilio revelou que cerca de 36% dos recursos próprios da prefeitura são direcionados à saúde, com um investimento previsto de mais de R$ 1,8 bilhão para este ano.
Segundo o prefeito, existe uma percepção equivocada em parte da população sobre o SUS. “Muita gente diz que o SUS é grátis, mas é importante esclarecer que não é. O SUS é atendido gratuitamente, mas isso não significa que não custe ao município. Esses 36% do orçamento são retirados da receita própria de Cuiabá, somente para a saúde”, afirmou Abilio.
Comparação de Investimentos: Saúde vs Educação
No discurso, Abilio também fez uma comparação entre os investimentos em saúde e educação no município. Ele destacou que, enquanto a saúde recebe uma fatia significativa do orçamento, apenas 25% é destinado à educação. “A saúde em Cuiabá é mais custosa do que em qualquer outra capital do Brasil, recebendo um investimento próprio maior que o de outras cidades”, ressaltou.
O prefeito lembrou que a legislação exige que pelo menos 15% das receitas sejam aplicadas na saúde, mas a administração municipal investe significativamente mais. “A regra nos obriga a aplicar o mínimo de 15%, mas nós destinamos entre 34% e 36%. Isso é importante destacar, pois muitas pessoas que chegam às unidades básicas de saúde têm a impressão de que todos os serviços são gratuitos”, explicou.
Custos Operacionais das Unidades de Saúde
Abilio também discutiu os custos operacionais das unidades básicas de saúde para reforçar a necessidade de uma reestruturação no atendimento. “Uma equipe de uma unidade básica de saúde custa entre R$ 140 mil e R$ 170 mil por mês, considerando salários de médicos, enfermeiros, dentistas e demais despesas operacionais”, declarou.
Além disso, ele comentou sobre a disparidade entre os repasses do Ministério da Saúde e os custos reais enfrentados pelas unidades. “O repasse do Ministério da Saúde para cada unidade básica é em média de R$ 25 mil, que é muito inferior ao que realmente gastamos, cerca de R$ 140 mil por unidade”, ressaltou Abilio.
Um Pedido por Melhores Atendimento e Produtividade
Abilio fez um apelo aos funcionários das unidades de saúde para que busquem oferecer um atendimento que se iguale ao padrão do setor privado. “Quando falamos sobre a demanda espontânea, não estamos tentando pressionar a equipe, mas sim mostrando que a média de atendimento precisa melhorar. A população necessita e clama por serviços mais eficientes”, finalizou o prefeito.
