Campanha da Fraternidade e o Direito à Moradia
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) promoveu uma sessão especial na noite da última segunda-feira (16) em celebração à Campanha da Fraternidade 2026. O evento, realizado no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour, foi conduzido pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT) e contou com a presença de representantes da Igreja, movimentos sociais e instituições dedicadas à defesa do direito à moradia. Durante a solenidade, houve uma homenagem ao arcebispo de Cuiabá, Dom Mário Antônio da Silva, que recebeu a Comenda Prêmio Estadual dos Direitos Humanos Padre José Ten Cate, proposta pelos deputados Lúdio Cabral e Valdir Barranco (PT).
A Campanha da Fraternidade, promovida anualmente pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1964, tem como tema deste ano “Fraternidade e Moradia: Ele veio morar entre nós”. O objetivo é incentivar reflexões sobre o direito à habitação digna e as desigualdades sociais que permeiam o acesso à moradia.
Discussão Fundamental sobre Moradia Popular
O deputado Lúdio Cabral ressaltou a importância da Campanha da Fraternidade ao trazer à tona questões sociais cruciais que impactam diretamente a vida da população. “A Igreja Católica desempenha um papel fundamental ao abordar temas essenciais, como a moradia popular, que representa uma necessidade urgente em nosso país”, afirmou. Cabral também enfatizou que a Assembleia Legislativa tem promovido anualmente uma sessão solene dedicada à pauta da Campanha da Fraternidade.
A coordenadora da Comissão Arquidiocesana da Campanha da Fraternidade, Inês de Oliveira, explicou que os temas abordados na campanha são definidos com base na realidade social do Brasil e nas demandas das comunidades. Segundo ela, a questão da moradia foi reavaliada, pois o problema habitacional persiste em ser uma realidade não resolvida.
De acordo com Inês, falar de moradia digna vai além da construção de casas. “Moradia digna é aquela que oferece infraestrutura básica e está localizada em áreas adequadas, com acesso à educação e saúde”, esclareceu. Ela demonstrou confiança na mobilização da sociedade para avançar nesse debate.
Desafios Habitacionais em Mato Grosso
Emidio de Souza, presidente da Associação Cuiabana de Habitação de Mato Grosso (ACDHAM), sublinhou que o tema escolhido pela campanha reflete a realidade enfrentada por milhares de famílias no estado. “A Campanha da Fraternidade se alinha a uma luta intensa de nosso movimento popular em prol da moradia”, afirmou.
Segundo Emidio, cerca de 400 mil famílias em Mato Grosso não possuem casa própria, sendo que muitas vivem em áreas de preservação permanente ou em situações de risco, como em puxadinhos ou pagando aluguel sem condições financeiras adequadas. Em Cuiabá, os dados são ainda mais alarmantes: aproximadamente 72 mil famílias enfrentam situações precárias, com muitas já tendo sido notificadas por habitarem em áreas proibidas.
O deputado Lúdio Cabral reiterou que a discussão sobre moradia deve envolver diversos setores da sociedade, resultando em políticas públicas eficazes. Ele apontou que o déficit habitacional continua sendo um grande desafio em Mato Grosso, com cerca de 70 mil famílias em Cuiabá sem uma moradia digna, o que exige um esforço considerável no desenvolvimento de políticas públicas. Lúdio ainda mencionou a retomada do programa habitacional federal como um avanço, mas enfatizou que isso ainda é insuficiente para atender à elevada demanda por moradia no estado.
Reconhecimento e Reflexão Final
Durante a sessão especial, o arcebispo de Cuiabá, Dom Mário Antônio da Silva, recebeu a Comenda Prêmio Estadual dos Direitos Humanos Padre José Ten Cate, em reconhecimento à sua atuação no estado. Dom Mário, que recentemente foi nomeado para a Arquidiocese de Aparecida, em São Paulo, destacou que a homenagem representa o esforço coletivo realizado na Arquidiocese de Cuiabá nos últimos anos. “Recebo esta comenda em nome da Arquidiocese e das pessoas com quem trabalhamos”, afirmou.
Em relação ao tema da Campanha da Fraternidade, o arcebispo destacou que a discussão sobre moradia abrange direitos fundamentais e requer o engajamento tanto da sociedade quanto do poder público. “É essencial tratarmos a habitação como um direito de cada família e de cada pessoa. A moradia se conecta à saúde, à educação e a outros elementos fundamentais para uma vida digna. Acreditamos que essa reflexão impulsione políticas públicas que garantam habitação digna”, concluiu.
