Mudanças que Impactam a Economia de Mato Grosso
A proposta que visa extinguir a escala de trabalho 6×1 no Brasil, atualmente em discussão no Congresso Nacional, pode acarretar um custo adicional de até R$ 1,4 bilhão mensais para os setores de comércio e serviços em Mato Grosso. Essa estimativa foi apresentada pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), que também destaca a escassez de mão de obra qualificada e os possíveis reflexos nos preços e contratações.
O projeto em debate sugere a redução da carga horária semanal para 36 horas, através da PEC nº 221/2019 e da PEC nº 8/2025. Embora o objetivo seja promover uma melhor qualidade de vida para os trabalhadores celetistas, a pesquisa indica que essa transformação pode trazer consequências variadas para a economia, incluindo um aumento nos custos operacionais e uma provável elevação da informalidade como forma de complementar a renda familiar.
De acordo com os dados do IPF-MT, que se basearam na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2024, a mudança impactaria cerca de 784,3 mil trabalhadores em Mato Grosso que atualmente exercem atividades acima de 40 horas semanais – o que representa aproximadamente 65% do total de celetistas no estado. No comércio, impressionantes 91% dos funcionários estão sob o regime de jornada superior a 40 horas, enquanto nos serviços, essa porcentagem é de 74%.
Esses números sugerem que, para manter o mesmo nível de atividade econômica com a nova jornada, as empresas teriam que contratar mais pessoas ou considerar a possibilidade de horas remanescentes, o que se mostra ineficiente no setor terciário. Assim, o custo mensal para o comércio pode alcançar até R$ 669,8 milhões, enquanto o setor de serviços pode registrar um impacto de R$ 759,4 milhões.
Quando se avaliam todos os setores produtivos da economia de Mato Grosso, o impacto total pode chegar a R$ 2,2 bilhões por mês, considerando a necessidade de reposição e adequação da nova jornada de trabalho. O estudo revela que mais de 60% desse custo adicional afetará os setores de comércio e serviços, que são responsáveis por uma parcela significativa das vagas formais no estado.
