Ação de Conscientização no Fórum de Cuiabá
No mês dedicado à luta pelo direito das mulheres, a Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT) e o Espaço Thays Machado realizaram uma manhã de palestras para cerca de 100 trabalhadoras terceirizadas do Fórum de Cuiabá, neste sábado (14). O evento teve como objetivo promover a conscientização sobre a violência doméstica e familiar, além de oferecer um espaço de acolhimento e informação às participantes.
As colaboradoras, que atuam em funções como recepção e limpeza, foram dispensadas das suas atividades para participar da programação, que contou com a colaboração da Diretoria do Fórum. A juíza Hanae Yamamura de Oliveira, que dirige o foro, deu início ao encontro agradecendo a dedicação das participantes e ressaltando a relevância da atividade para o fortalecimento do Poder Judiciário de Mato Grosso.
“Preparamos esta manhã com muito carinho para que todas se sentissem valorizadas. É uma alegria contar com a parceria da Cemulher e do Núcleo Thays Machado para trazer essa troca de experiências tão significativa”, comentou a magistrada.
Hanae também enfatizou a importância da atuação da Cemulher, que busca alcançar um número crescente de mulheres com suas iniciativas de conscientização. Segundo ela, o evento serve não só para acolher as terceirizadas, mas também para informá-las sobre recursos e direitos disponíveis. “Acreditamos que, ao nos aproximarmos delas, conseguimos não apenas oferecer apoio, mas também disseminar informações valiosas que podem ser levadas para suas comunidades”, completou.
Educação e Empoderamento Feminino
A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá, conduziu uma palestra voltada para a superação feminina e o enfrentamento da violência contra as mulheres. “Durante todo o mês de março, realizamos essas palestras e tem sido incrível ver a alegria das mulheres ao receberem conhecimentos que podem mudar suas vidas. A informação, sem dúvidas, pode salvar vidas”, afirmou.
Os temas abordados por Tatyana incluíram a evolução da luta feminina ao longo da história, a relevância da Lei Maria da Penha, além dos diversos tipos de violência que as mulheres enfrentam. “É fundamental que elas reconheçam os sinais de violência, pois muitas vezes, isso começa com agressões psicológicas e não necessariamente físicas. Conhecer esses sinais é o primeiro passo para romper com o ciclo de violência”, alertou a juíza.
Outra palestra, intitulada “Depois que eu digo basta: o caminho da reconstrução”, foi apresentada pela psicóloga Luciana Edeliz, que atua no Espaço Thays Machado. Luciana discutiu o acesso aos serviços de acolhimento psicológico, especialmente em casos de violência.
“Neste ano, iniciamos a campanha ‘Eu Digo Basta!’ e estamos ampliando a abordagem com ‘Eu disse basta. E agora? O que acontece?’. Durante o processo terapêutico, o papel do profissional é ajudar a mulher a reconstruir sua história, muitas vezes marcada por dificuldades de autoidentificação”, explicou.
Luciana ressaltou que o Espaço Thays Machado está disponível para todas as mulheres vinculadas ao Poder Judiciário de Mato Grosso, oferecendo apoio psicológico, psiquiátrico e orientação jurídica. “Nosso trabalho é articulado com uma rede de atendimento a mulheres, incluindo a Delegacia da Mulher e o Ministério Público, para garantir um suporte completo”, complementou.
Reflexão e Reconhecimento
Ana Luísa da Silva, uma das participantes e recepcionista do Fórum, destacou a importância das palestras como um momento de reflexão e aprendizado. “Essas palestras foram uma excelente oportunidade para perceber que temos apoio na instituição. Aprendi muito sobre um tema tão atual e que impacta nossa sociedade. Fiquei surpresa em descobrir que o Núcleo Thays Machado oferece apoio psicológico gratuito a todas nós aqui no TJ”, relatou.
A atuação do Judiciário em ações como essa reflete um compromisso crescente em acolher e informar mulheres sobre seus direitos, promovendo um ambiente mais seguro e informativo dentro da instituição e, consequentemente, em suas comunidades.
