Uma Iniciativa de Inclusão e Reflexão
O projeto “Casa Aberta” traz, na sua primeira edição de 2024, o tema “Mulherar” para a discussão sobre feminicídio e o protagonismo feminino em Cuiabá. Promovido pela Academia Mato-grossense de Letras (AML), o evento mostra que, mesmo com seu legado centenário, a instituição se mantém engajada nas questões que afligem a sociedade atual. Com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), a atividade acontece nesta quinta-feira (12.3), a partir das 19h, na Casa Barão, que terá os portões abertos ao público.
“A proposta do Casa Aberta está na própria denominação. Todos são bem-vindos, sem restrições de gênero, etnias ou idades. A Casa Barão, um prédio histórico, receberá todos de braços abertos!”, destaca Luciene Carvalho, atual presidente da AML e a primeira mulher negra a ocupar esse cargo, que já exerce seu segundo mandato consecutivo.
Reflexão Sobre o Feminicídio
O primeiro evento do ciclo, que totalizará 12 encontros ao longo do ano, coincide com a comemoração do Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo (8). Com uma programação destinada a todas as idades, o evento é gratuito e se destaca pela apresentação de um projeto criado por duas imortais da AML, as escritoras Marta Cocco e Marli Walker. Elas lançarão uma coletânea de contos que explora o feminicídio, um assunto de grande relevância tanto no âmbito regional quanto nacional.
“‘Mulherar’ vai além da mera licença poética. É um verbo que precisa ser conjugado em todos os sentidos. Com essa coletânea, a AML não apenas promove a literatura, mas também se posiciona como uma instituição atenta às questões sociais que precisam de visibilidade, refletindo sobre um problema que afeta toda a sociedade”, enfatiza Luciene Carvalho.
Construindo Diálogos e Reflexões
A conversa entre as escritoras será mediada pela ex-presidente da AML, Sueli Batista, que tem uma trajetória marcada pela luta pelos direitos das mulheres. Sueli promoverá a interação entre as acadêmicas e o público, reforçando a importância do diálogo. Marta Cocco relata que a ideia de abordar esse tema surgiu a partir de um grupo de escritoras que sentiu a urgência de usar histórias, sejam reais ou fictícias, para fazer os leitores e leitoras refletirem sobre as consequências devastadoras dos crimes relacionados ao feminicídio.
Marli Walker complementa, afirmando que a Academia tem a responsabilidade de participar desse debate. “Acreditamos que a verdadeira transformação social ocorre quando analisamos como as práticas sociais influenciam os relacionamentos abusivos”, destaca.
Uma Programação Variedada
O evento Casa Aberta terá seu início às 18h e se estenderá até às 21h30. A programação incluirá a instalação artística “sopa de letrinhas”, que funcionará como um espaço de escrita para os convidados e apresentará poesias em projeção com uma iluminação cênica. Às 19h, o bate-papo com Marta Cocco e Marli Walker permitirá uma visão geral sobre o projeto literário antifeminicídio, que já conta com a colaboração de 15 autoras.
Além disso, às 20h, ocorrerá o Slam da Academia, uma competição de poesia aberta aos interessados, que podem se inscrever antecipadamente pelo Instagram da AML ou no local. Simultaneamente, a artista de grafite Negramina fará uma performance, celebrando a força feminina e a representatividade negra através de sua arte.
O evento ainda contará com a presença de um DJ, e o microfone ficará aberto para o público a partir das 20h30, promovendo um ambiente interativo e acolhedor.
A História da Casa Barão
A programação do projeto Casa Aberta será realizada tanto nos espaços internos quanto externos da Casa Barão, que homenageia Augusto João Manuel Leverger (1802-1880), conhecido como Barão de Melgaço. O Barão foi um militar francês naturalizado brasileiro, almirante, historiador e geógrafo, além de patrono da Academia Mato-grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso. Sua trajetória de pesquisa e contribuição para a sociedade mato-grossense é um marco que une cultura e história no cenário atual.
