Aliança e Transformação no Cenário Político de Mato Grosso
No último sábado (9), o deputado estadual Beto Dois a Um oficializou sua filiação ao Podemos em um evento político que reuniu prefeitos, vereadores e outras lideranças de diversas regiões de Mato Grosso. O ato, conduzido pelo deputado Max Russi, foi um momento significativo de reafirmação de parcerias e de reconhecimento pelo trabalho que Beto tem realizado nos últimos anos. Durante seu discurso, o parlamentar expressou sua gratidão às lideranças presentes, enfatizando o apoio que recebeu de prefeitos e vereadores que viajaram de várias partes do estado para prestigiar a ocasião. Ele ressaltou a relevância da rede de alianças construída ao longo de seu mandato.
“Quero agradecer a cada prefeito, vereador e liderança que saiu do seu município, dos mais próximos aos mais distantes, para estar aqui hoje. Isso mostra que a política que fazemos é construída através do diálogo, do respeito e da presença”, declarou Beto. O deputado também aproveitou a oportunidade para relembrar sua atuação no governo estadual, onde foi secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, e vice-líder do governo na Assembleia Legislativa. Ele destacou a confiança que recebeu do governador Mauro Mendes, do vice-governador Otaviano Pivetta, da primeira-dama Virginia Mendes e do secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia.
Ao abordar a atual gestão estadual, Beto Dois a Um afirmou que Mato Grosso está passando por um momento histórico de transformação. Em suas palavras, a condução do governo devolveu confiança à população e elevou o padrão da política no estado. Ele mencionou as obras e ações que têm impactado diretamente a vida das pessoas, como os investimentos em infraestrutura rodoviária, hospitais regionais, programas sociais, educação e segurança pública, além de iniciativas como o programa Ser Família, liderado pela primeira-dama Virginia Mendes.
Para o deputado, essa série de entregas tem ajudado a mudar a visão da sociedade sobre a capacidade do poder público em transformar realidades. “O governador Mauro Mendes devolveu a autoestima política ao povo de Mato Grosso ao realizar um governo com as maiores entregas da história do nosso estado”, ressaltou. Beto também enfatizou que sua trajetória política foi construída com trabalho árduo e perseverança. Ao final de seu discurso, ele compartilhou uma frase inspiradora que costuma usar como motivação: “Acredito que o impossível é apenas um passo que ainda não demos”.
Desafios na Educação Especial em Mato Grosso
Em outro contexto, o secretário de Educação de Mato Grosso, Alan Porto, foi convocado a prestar esclarecimentos na Assembleia Legislativa (ALMT) sobre a contratação de ao menos 665 Professores de Apoio Pedagógico Especializado (PAPE) para atender estudantes com deficiência e neurodivergências. No entanto, a promessa de contratar professores especializados resultou na contratação de profissionais para funções distintas. Essa situação gerou insatisfação entre pais e profissionais que participaram de uma audiência pública, convocada pelo deputado Lúdio Cabral (PT), em 23 de fevereiro. Eles expressaram preocupação com o impacto negativo no aprendizado das crianças que necessitam de atenção especial.
A Secretaria de Educação informou que, no dia 27 de fevereiro, finalizou o processo de atribuição de 655 Profissionais de Apoio Especializado (PAE), que desempenham funções diferentes das de um professor e não precisam ter formação superior em pedagogia. Esses profissionais são responsáveis por auxiliar na locomoção e mobilidade interna, acompanhando atividades pedagógicas não técnicas, assegurando acessibilidade operacional sem interferir na condução didática.
Além disso, o deputado relatou que as famílias que denunciam a falta de profissionais estão sendo encaminhadas para a Defensoria Pública, para que esta tome as devidas providências legais contra a Seduc. “Vamos avaliar no parlamento quais outras medidas podemos tomar para cobrar da secretaria o cumprimento das promessas do secretário”, concluiu.
Desafios na Prática Educacional
A falta de PAPEs e a ausência de dados específicos para alunos com deficiência foram temas centrais no debate sobre educação especial em Mato Grosso durante a audiência pública na ALMT. Professores, pais e especialistas relataram dificuldades que, segundo eles, comprometem o acompanhamento adequado e a permanência desses estudantes nas escolas da rede estadual. Rosichele Ferreira, psicopedagoga e professora de apoio pedagógico especializada, que foi aprovada no processo seletivo de 2023, compartilhou que seu contrato não foi renovado em 2026, apesar das promessas feitas pelo secretário Alan Porto em audiência pública anterior. Ela exigiu melhorias no sistema, ressaltando que os alunos estão sendo obrigados a comprovarem continuamente a necessidade de um PAPE.
“O que quero entender, senhor secretário, é por que alunos que já estavam assistidos no ano passado, que já tinham um profissional, precisam enviar mais documentos, sendo que a necessidade desse profissional já foi constatada e não de assistente?”, questionou Rosichele. Ela também relatou que, no primeiro dia de aula, um aluno que acompanhava ficou abalada na ausência da profissional, não retornando mais à escola e permanecendo sem acompanhamento.
“Se ele tinha um acompanhante, por que esse acompanhante não está lá com ele? Veja o dano emocional que essa criança está enfrentando. Precisamos que o senhor secretário tenha esse olhar. É imprescindível. Essa criança já lida com muitos desafios e ainda precisa enfrentar isso”, alertou a professora.
Alexandre Soledade, pai e professor pesquisador na área do autismo, criticou o Plano de Ensino Individualizado (PEI), comparando-o a uma “lasanha sem recheio”. Ele argumentou que, muitas vezes, o PEI não atende às reais necessidades dos alunos, citando o caso de sua filha que teve a experiência de uma aula sem adaptabilidade. “Recentemente, vi minha filha em uma aula de geografia, com o professor auxiliar ao lado, enquanto a professora falava sobre as quatro estações do ano. Era uma oportunidade perfeita para levar minha filha para fora, mostrar o céu, as folhas caindo, adaptar a situação para que ela compreendesse. Contudo, o que ela estava fazendo naquele momento era apenas brincar com massa de modelar”, contou Alexandre.
Os participantes da audiência concordaram que o que está sendo apresentado pela Seduc como solução não condiz com a realidade e está prejudicando o ensino e a aprendizagem dos alunos com deficiência.
