Importância da Formação Contínua em Imunização
Eventos como a 3ª Jornada Estadual de Imunização, realizada em Cuiabá nos dias 4 e 5 de março, são fundamentais não apenas para oferecer aulas teóricas, mas principalmente para promover a troca de experiências. Essa é a avaliação de Renato Kfouri, pediatra e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), que foi um dos palestrantes do encontro. O evento, promovido pela Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso (SES-MT), reuniu mais de 700 participantes, que se imergiram no tema da imunização.
Kfouri enfatizou que a atualização contínua dos profissionais que atuam na vacinação é imprescindível. Segundo ele, essa capacitação ajuda a reduzir erros na aplicação das vacinas, aumenta a adesão da população e melhora a comunicação entre médicos e pacientes. “O Calendário de Vacinação exige que o profissional esteja sempre atualizado para entender e lidar melhor com questões como atrasos e aplicações simultâneas”, pontuou.
Durante sua palestra, o pediatra abordou a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que, de acordo com ele, é uma das principais causas de hospitalização em bebês durante o primeiro ano de vida, podendo levar à bronquiolite e pneumonia. Ele destacou a importância das novas estratégias de vacinação, que incluem a vacinação materna e o uso de anticorpos monoclonais, que mostraram uma eficácia de 70% a 80% na prevenção de formas graves da doença e cerca de 60% na redução de visitas a serviços de emergência devido ao VSR.
“O Brasil se destacou por adotar ambas as estratégias de vacinação, sendo, possivelmente, o primeiro país a implementar essa abordagem combinada. Oferecemos a vacina para as gestantes e, caso o bebê nasça prematuramente e não tenha recebido a vacina, disponibilizamos o anticorpo monoclonal”, afirmou Kfouri.
Dados alarmantes foram apresentados pelo especialista: no ano anterior, 300 mortes de bebês devido ao VSR foram registradas no Brasil, mortes que poderiam ter sido evitadas. Kfouri também fez uma comparação com a vacina contra a coqueluche, citando que, apesar de disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), muitas mães não se vacinam durante a gestação, resultando em mortes desnecessárias. “Infelizmente, houve cerca de 30 mortes por coqueluche em 2024 entre bebês com menos de um ano, e 80% das mães não receberam a vacina na gravidez”, lamentou.
Discussões Sobre Vacinas e Desafios de Imunização
O evento também contou com uma palestra de Mayra Moura, gerente do Instituto Butantan, que abordou a farmacovigilância da vacina contra a dengue. Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, trouxe à tona o tema da rede de imunobiológicos para pessoas em situações especiais. Evelin Plácido, diretora da SBIm, falou sobre a hesitação vacinal, um tema cada vez mais relevante no Brasil.
A mesa que discutiu o “Calendário Nacional de Vacinação e Cadeia de Frio” teve palestras que abordaram as principais atualizações nas instruções normativas e boas práticas para a manutenção da cadeia de frio, essenciais para garantir a eficácia das vacinas. Leôncio Santos, enfermeiro que participou da mesa, reiterou a necessidade de preparo dos profissionais da saúde, elogiando a estrutura da Rede de Frio de Mato Grosso e o programa que valoriza os profissionais da imunização, o Prêmio Imuniza Mais MT.
“O treinamento e a preparação da equipe garantem um atendimento de qualidade à população de Mato Grosso. O comprometimento da gestão e dos profissionais tem produzido resultados positivos na vacinação, e devemos parabenizar todos os vacinadores, enfermeiros e agentes comunitários de saúde”, enfatizou Santos.
A 3ª Jornada de Imunização de Mato Grosso contou com a participação de mais de 700 servidores de saúde dos 142 municípios do estado, reforçando a importância da política de vacinação. O evento também celebrou a festa de premiação do programa Imuniza Mais MT, que distribuiu mais de R$ 6,28 milhões entre os 42 municípios que apresentaram os melhores desempenhos em vacinação em 2025.
