Pressão Internacional Afeta Preços Locais
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo) informou que o recente aumento nas cotações internacionais de combustíveis está pressionando o mercado e já se reflete nos preços praticados em Mato Grosso.
Dados do setor mostram que, ao longo de 2026, os derivados de petróleo tiveram aumentos significativos no mercado internacional. O diesel importado, por exemplo, registrou uma alta de cerca de 38%, saltando de US$ 60,85 em janeiro para US$ 83,97 atualmente. Para a gasolina importada, o aumento foi ainda maior, de 52,8%, subindo de US$ 1,72 para US$ 2,42. O diesel S10 importado, por sua vez, apresentou um incremento de 62,8%, passando de US$ 2,12 para US$ 3,45.
Esse movimento é amplamente atribuído à instabilidade geopolítica mundial, além da valorização do dólar e do petróleo no mercado global, fatores que impactam diretamente os custos de importação de combustíveis, segundo o sindicato.
Defasagem nos Preços Internos
A despeito do aumento dos preços no exterior, o mercado brasileiro ainda conta com valores inferiores em relação às referências internacionais. Estima-se que exista uma defasagem significativa entre os preços praticados no Brasil e as cotações globais. No caso do diesel comercializado pela Petrobras, essa defasagem é estimada em aproximadamente R$ 1,91 por litro. Para a gasolina, a diferença fica em torno de R$ 0,79 por litro.
Embora a Petrobras não tenha anunciado reajustes, algumas distribuidoras já iniciaram a correção nos preços de venda aos postos revendedores, refletindo assim o aumento dos custos de importação. Como resultado, os consumidores em Mato Grosso já estão percebendo a elevação dos valores nos postos de combustíveis.
Expectativa por Ajustes Futuro
O Sindipetróleo alerta que, caso a Petrobras opte por um ajuste para alinhar seus preços às referências internacionais, os reajustes poderão ser ainda mais expressivos nos próximos dias no mercado mato-grossense. Um dado relevante que também merece destaque é o recente desempenho financeiro da estatal, que apresentou um crescimento significativo de rentabilidade: o lucro bruto da companhia subiu 48% em comparação a 2024, enquanto a margem líquida em 2025 ficou em 22%.
Claudyson Martins Alves, presidente do Sindipetróleo, enfatiza que os postos revendedores são a última etapa da cadeia de abastecimento e não têm controle sobre os preços definidos por refinarias e distribuidoras. Assim, eles se veem obrigados a repassar os custos de aquisição dos combustíveis para evitar prejuízos.
Soluções Sustentáveis em Debate
Recentemente, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) solicitou ao Ministério de Minas e Energia (MME) um aumento urgente na mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel no país, passando dos atuais 15% para 17% (B17). Essa demanda surge em razão dos impactos recentes dos conflitos no Oriente Médio sobre o mercado de petróleo.
No ofício dirigido ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a CNA destacou que, após o início das tensões geopolíticas, o preço do barril do petróleo bruto Brent subiu para US$ 84, acumulando alta de até 20% desde o final de fevereiro.
A entidade também observou que, em episódios anteriores de tensões globais, como na Guerra entre Ucrânia e Rússia em 2022, houve um aumento médio nos preços de distribuição e revenda do diesel de 21% e 23%, respectivamente. Neste contexto, a antecipação do aumento da mistura de biodiesel surge como uma alternativa viável e sustentável para ampliar a oferta de combustível no mercado interno, reduzindo a pressão sobre os custos logísticos e fortalecendo a segurança energética nacional.
A Visão da Petrobras
Segundo informações veiculadas recentemente, a Petrobras ainda não definiu sua posição sobre a necessidade de reajustar os preços dos combustíveis no Brasil. A presidente da empresa, Magda Chambriard, respondeu a questionamentos durante uma teleconferência de resultados, abordando o impacto da guerra no Oriente Médio no preço internacional do petróleo, que alcançou os maiores valores em quase dois anos.
Portanto, o cenário atual apresenta incertezas, e a população brasileira deve ficar atenta às potenciais alterações nos preços dos combustíveis nas próximas semanas, especialmente diante das flutuações no mercado internacional.
