Um Crescimento Sustentável e Desafios Persistentes
Nos últimos dez anos, a indústria em Mato Grosso apresentou um impressionante crescimento de aproximadamente 40%, conforme dados do Observatório de Mato Grosso, vinculado ao Sistema Federação das Indústrias (Fiemt). Em 2014, o estado contava com cerca de 11,5 mil estabelecimentos industriais, número que saltou para 16,5 mil em 2024. Esse avanço é notável quando se considera que, em 1975, ano em que a Fiemt foi criada, o estado tinha apenas 57 indústrias.
O crescimento da indústria é um indicativo claro da importância de políticas públicas voltadas para o incentivo do setor, que desempenha um papel crucial na economia regional. O Produto Interno Bruto (PIB) da indústria também reflete essa ascensão, passando de R$ 15,8 bilhões para R$ 36,4 bilhões na última década. Essa evolução denota um aumento na produção, competitividade e consolidação da indústria como um motor fundamental da economia mato-grossense.
Setores em Destaque e Perfil da Indústria
Os principais setores que compõem a indústria do estado incluem alimentos, construção civil, serviços industriais de utilidade pública, biocombustíveis e indústrias químicas. A Fiemt representa 37 sindicatos industriais que abrangem 17 segmentos econômicos distintos.
A base da indústria mato-grossense é predominantemente composta por pequenos negócios. Dos 16.588 estabelecimentos registrados, 97% são micro e pequenas empresas. Apesar da predominância dos pequenos negócios, setores estruturantes, como alimentos e biocombustíveis, também mostram forte presença. No período analisado, o segmento de manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos destacou-se, aumentando de 425 para 1,3 mil empresas, o que demonstra a relevância dos pequenos negócios para o dinamismo econômico local.
Emprego e Perfil da Força de Trabalho
A melhoria no setor industrial também se reflete no aumento do emprego, que cresceu 23% na última década. O número de trabalhadores saltou de 160,7 mil em 2004 para 197,9 mil em 2024. Além disso, a massa salarial do setor atinge R$ 6 bilhões, um recurso que se reinveste na economia local por meio do consumo das famílias.
A força de trabalho da indústria mato-grossense é caracterizada por ser jovem, predominantemente masculina e com um aproveitamento significativo de profissionais com escolaridade intermediária. A maior parte dos trabalhadores se concentra em grandes empresas, que empregam mais da metade da mão de obra industrial do estado. Isso ressalta a importância das grandes indústrias, especialmente nos setores de alimentos, construção e energia, como pilares de emprego e salários.
Desafios Enfrentados pela Indústria
Apesar do desempenho positivo, a Fiemt aponta diversos desafios que podem limitar o potencial de expansão da indústria. Entre os principais obstáculos estão a dificuldade em recrutar e manter trabalhadores qualificados, a instabilidade no fornecimento de energia elétrica e os altos juros que inibem novos investimentos.
Ayres dos Santos Neto, empresário do setor moveleiro e diretor da Fiemt, destaca que a falta de mão de obra qualificada impede um crescimento ainda maior. “Estamos crescendo, mas poderíamos avançar mais. A substituição por tecnologia ajuda, mas a necessidade de pessoal é urgente. Mesmo oferecendo melhores condições e benefícios, é difícil reter colaboradores”, relata.
Oportunidades e Futuro da Indústria em Mato Grosso
O presidente do Sistema Fiemt, Silvio Rangel, enfatiza a consolidação do setor industrial como um motor de desenvolvimento no estado. “Estamos em um momento crucial de valorização da produção. O crescimento confirma nosso compromisso com a competitividade e a geração de oportunidades de emprego e renda”, afirma. Rangel ressalta a importância de um ambiente favorável para a continuidade do desenvolvimento industrial, que envolve investimentos, inovação e políticas públicas que incentivem a produção.
Abertura de Novas Empresas e Crescimento Sustentável
Em 2025, Mato Grosso registrou 2.727 novas empresas industriais, excluindo as enquadradas como MEI, segundo dados da Receita Federal. A expansão foi particularmente visível em seis municípios, que juntos representam 53,32% das novas indústrias nesse período. Os setores que mais crescem incluem construção (49,76%), indústria de transformação (42,84%) e indústrias extrativas (4,14%).
A Fiemt reforça que, embora os dados da Receita Federal ajudem a acompanhar as novas aberturas, o número oficial de indústrias é medido pela RAIS, que considera empresas operando formalmente com vínculos empregatícios ativos.
