Inovação e Tradição no Design Indígena
O projeto Mehi Arte, sob a liderança do artista indígena Takula Diago Mehinako, da aldeia Mehinako no Alto Xingu, tem como objetivo valorizar a cultura indígena e fortalecer a economia criativa. Essa iniciativa, que se destaca na intersecção de tradição e inovação, recebeu recursos por meio do edital MT Criativo da Política Nacional Aldir Blanc Clico I, promovido em Mato Grosso pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).
Durante a fase de consultoria, Takula iniciou a produção de obras utilizando a madeira de árvores locais, conhecidas como “pakula”. Atualmente, aproximadamente 20 indígenas da aldeia, que abriga cerca de 340 habitantes, estão envolvidos no processo de criação, além de sete colaboradores em Cuiabá. O projeto busca consolidar a arte do povo Mehinako como uma referência no design indígena contemporâneo, integrando técnicas tradicionais do Xingu em produtos de decoração, acessórios e itens utilitários, todos feitos com fibras naturais e pigmentos vegetais.
Objetivos e Estratégias de Crescimento
Entre os principais objetivos do Mehi Arte estão a criação de 10 novas peças autorais e o desenvolvimento de uma plataforma digital com uma loja online, visando expandir o alcance da arte indígena tanto no Brasil quanto no exterior. A proposta inclui o uso de marketing digital, campanhas direcionadas e parcerias com influenciadores e galerias de arte, potencializando a visibilidade das peças produzidas por Takula, já reconhecido nacionalmente por sua arte.
Além disso, o projeto investe na capacitação de cinco jovens indígenas em áreas como gestão, design e empreendedorismo cultural, um passo fundamental para a construção de uma cadeia produtiva autossustentável nas comunidades. Por meio dessa formação, a iniciativa busca gerar trabalho e renda, contribuindo para o empoderamento social e a diminuição das desigualdades, alinham-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Sustentabilidade como Princípio Fundamental
Um dos pilares do projeto é a sustentabilidade, que se reflete no compromisso ambiental característico da arte de Takula. Todos os produtos criados seguirão práticas responsáveis de produção e consumo, utilizando materiais ecológicos. Essa abordagem atende a um público cada vez mais consciente, que valoriza autenticidade e identidade cultural, buscando um impacto positivo através do consumo.
A produção da “Pakula” representa um modelo inovador de empreendedorismo cultural indígena, combinando tradição, tecnologia e sustentabilidade. A cultura indígena, ao se projetar no mundo, demonstra que tradição e inovação podem coexistir, e que o futuro da arte também é ancestral.
Financiamento e Impacto na Economia Criativa
Na categoria Negócio Criativo e/ou Sociocultural do edital, 55 projetos foram selecionados, com valores de financiamento que variam entre R$ 35 mil e R$ 150 mil. Dentro das subcategorias, o item Semente Criativa contou com 32 projetos, totalizando R$ 1,1 milhão; Crescimento Sustentável incluiu 18 projetos, com R$ 100 mil cada, totalizando R$ 1,8 milhão; e Maturidade Empresarial abrangeu cinco projetos, com um total de R$ 750 mil.
A categoria Laboratório de Economia Criativa contemplou sete projetos, cada um com R$ 300 mil, somando R$ 2,1 milhões. No total, as duas categorias asseguram um investimento superior a R$ 5,7 milhões, com uma complementação de recursos de R$ 1,2 milhão para incluir mais nove iniciativas culturais.
