O Cenário do Preço do Leite em Janeiro
O preço do leite pago ao produtor registrou uma leve recuperação em janeiro de 2026, encerrando um ciclo de nove meses consecutivos de queda. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), vinculado à Esalq/USP, o litro de leite foi comercializado a R$ 2,0216 na média nacional, o que representa um aumento de 0,9% em relação ao mês anterior, dezembro de 2025. Apesar dessa pequena alta, o valor permanece 26,9% inferior ao registrado em janeiro de 2025, considerando a correção pela inflação medida pelo IPCA até janeiro de 2026.
Os pesquisadores do Cepea apontam que essa leve recuperação confirma as expectativas do setor por preços mais firmes neste início de ano, resultado de ajustes na produção em várias bacias leiteiras do país. Embora a oferta de produtos lácteos ainda esteja estável, há uma pressão negativa sobre a base produtiva, impactando diretamente as margens de lucro dos produtores.
Desafios na Produção e Custos Operacionais
As quedas contínuas no preço do leite em 2025 apertaram as margens dos produtores, levando a uma situação financeira delicada. Apesar da estabilidade relativa dos custos no ano anterior, o Custo Operacional Efetivo (COE) teve um aumento de 1,32% na média nacional em janeiro de 2026. A valorização do milho também continua a ser um fator limitante para o poder de compra dos produtores. Em janeiro, eram necessários 33,56 litros de leite para a compra de uma saca de 60kg de milho, uma redução de 3,76% em comparação com o mês anterior, mas que ainda representa um aumento de 15,2% em relação à média dos últimos 12 meses.
Impactos da Sazonalidade e Captação de Leite
Os desafios enfrentados pelos produtores devem resultar em uma diminuição dos investimentos na atividade. A sazonalidade do setor também é um fator que contribui para a redução na captação de leite. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, o ICAP-L (Índice de Captação de Leite) caiu 3,6% na média nacional, com quedas significativas observadas principalmente nas regiões Sul e São Paulo.
Enquanto isso, mesmo com a pressão da oferta e a competição por matéria-prima, os canais de distribuição industrial e comercial ainda enfrentam dificuldades em repassar os aumentos de preços. O giro no varejo permanece insuficiente para aliviar a pressão sobre o sistema. Em janeiro, a indústria constatou dificuldades para repassar custos a seus canais de distribuição, uma vez que o consumo dos produtos lácteos continua sensível às variações de preço.
Preços de Produtos Lácteos e Movimento de Importações
Um levantamento do Cepea, realizado em parceria com a OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), revela que em janeiro, as médias dos preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó apresentaram quedas de 1,44%, 1,49% e 0,15%, respectivamente, em termos reais, se comparadas ao mês anterior. No mesmo período, as importações de leite aumentaram 8%, totalizando 178,53 milhões de litros em equivalente leite (EqL). Apesar de um crescimento de 16,75% nas exportações, que somaram 4,3 milhões de litros EqL, essa movimentação não foi suficiente para equilibrar a balança do mercado.
Expectativas para Fevereiro e o Futuro do Setor
A partir de fevereiro, há expectativa de que o viés de alta se consolide, embora esse movimento deva ocorrer de forma gradual e moderada. O avanço dos preços está diretamente vinculado ao escoamento dos estoques, em um cenário que continua desafiador para o setor leiteiro brasileiro.
