O Funk de Cuiabá Ganha Espaço Nacional
Oito MCs da periferia de Cuiabá se uniram para lançar o álbum ‘Quem Tá Ritmando’, um projeto que traz batidas que transitam entre o funk paulista, carioca e mineiro. A faixa-título, originalmente um carimbo de Frajolinha, ganhou destaque e se tornou um convite para que os artistas mostrassem ao Brasil a riqueza cultural da capital de Mato Grosso.
Com um total de oito músicas gravadas em casa e mixadas pelo DJ Baez, o álbum foi disponibilizado no início de abril e já vem conquistando o público. Os artistas participantes incluem Armayck, PH do Floripa, DZ7, MC Guto LK, Eomath, Frajolinha e Yohan Nanizaya, todos oriundos de comunidades como Pedra 90, Cabral e Floripa. A proposta é clara: evidenciar que Cuiabá não se limita a um único estilo e possui qualidade para competir em nível nacional.
Uma Cena Local em Transição
A cena musical em Cuiabá é marcada por uma fragmentação significativa. Cada bairro possui sua própria agenda, suas batidas e formas de divulgação. Contudo, esse novo álbum se apresenta como uma ponte entre os artistas, possibilitando colaborações que antes pareciam distantes. O resultado desse esforço coletivo já se reflete nas estatísticas: nas duas primeiras semanas após o lançamento, as músicas do álbum acumulam mais de 50 mil execuções no Spotify, com uma audiência predominante em grandes centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Armayck, um dos MCs envolvidos no projeto, já está aproveitando esse impulso e programou shows em São Paulo para o próximo mês. PH do Floripa, por sua vez, viu seu número de seguidores no Instagram disparar de 2 mil para 12 mil. Embora os ganhos financeiros ainda sejam modestos, a visibilidade gerada pelo projeto abre novas oportunidades para esses artistas. O próximo passo é transformar visualizações em uma agenda robusta de shows fora do estado e, quem sabe, atrair produtores interessados em promover workshops de batidas nas comunidades.
Autonomia e Organização na Periferia
Um dos aspectos mais impressionantes deste projeto é que ele foi realizado sem patrocínios públicos ou privados. Todos os custos relacionados à gravação, à arte da capa e à divulgação foram arcados pelos próprios artistas. Essa iniciativa deixa uma mensagem clara: quando a periferia se organiza, o barulho que produz atravessa fronteiras sem precisar pedir licença.
O álbum ‘Quem Tá Ritmando’ é mais do que uma simples coletânea musical; é uma afirmação da força e da diversidade do funk produzido em Cuiabá. Ele serve como uma vitrine da cultura local e um exemplo de como a música pode unir e empoderar comunidades. Assim, artistas que antes atuavam em silos agora se encontram em um novo cenário, onde a colaboração e a inovação se tornam as chaves para um futuro mais promissor.
