Desconfiança no Comércio Cuiabano Reflete Queda na Confiança Empresarial
Ainda que os índices demonstrem um leve aumento na intenção de consumo das famílias em Cuiabá, os empresários do comércio na capital estão começando 2026 com um sentimento pessimista. A pesquisa que mede a Confiança do Empresário do Comércio (Icec) revelou a terceira queda consecutiva do indicador, sinalizando um cenário desolador para o setor.
Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Icec apresentou uma diminuição de 1,3% em fevereiro em relação ao mês anterior, atingindo 95,7 pontos. Em comparação com novembro do ano passado, quando o índice era de 104,9 pontos, a queda já chega a 8,8%, evidenciando um retrocesso significativo.
Com esse resultado, o Icec segue abaixo da marca de 100 pontos, que delimita a linha entre otimismo e pessimismo. Esse indicador avalia a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia, os desafios enfrentados pelo setor e suas próprias empresas, além das expectativas e da intenção de investimento no curto e médio prazo.
Na análise anual, a diminuição do índice é de 5,5%, consolidando um começo de ano repleto de cautelas por parte dos empresários. O recuo mensal foi influenciado, especialmente, pelo Índice de Expectativa do Empresário do Comércio, que caiu 2,1%, e pelo Índice de Investimento, que teve uma redução de 2,8%. Em contraste, o subíndice de Condições Atuais teve uma leve alta de 2,3% no mês, indicando uma percepção um pouco mais positiva em relação ao presente imediato.
Em resumo, a análise do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio (IPF-MT) revela um empresariado dividido: enquanto as dinâmicas internas das empresas demonstram resiliência, a percepção sobre a economia brasileira ainda é frágil, restringindo decisões mais robustas de expansão nos próximos meses.
Impactos do Cenário Nacional na Confiança Local
O cenário econômico do país exerce uma influência direta sobre o comportamento dos empresários em Cuiabá. “O que observamos é um ambiente de incerteza macroeconômica que contrasta com uma superação microeconômica. A confiança interna é um fator que inibe uma retração mais acentuada, mas o panorama macroeconômico impede decisões mais ousadas de investimento”, explicaram analistas da pesquisa.
Conforme os dados do IPF-MT, o componente que avalia as Condições Atuais da Economia Brasileira continua sendo a principal fonte de pessimismo. Um expressivo 51,1% dos empresários entrevistados sente que a situação piorou significativamente. No setor comercial, 43,9% dos empresários também percebem uma forte deterioração das condições existentes.
Por outro lado, o índice que mede as Condições Atuais das Empresas permanece acima da linha de neutralidade, com 109,5 pontos, o que indica que uma parte considerável dos empresários vê um desempenho interno mais forte em relação ao ambiente econômico geral.
No que diz respeito às expectativas, o índice geral ainda se encontra em terreno otimista, marcando 112,7 pontos, embora tenha apresentado um arrefecimento. O destaque fica com a Expectativa das Empresas, que atingiu 126,4 pontos. Em termos de emprego, 64,3% dos empresários afirmaram que planejam aumentar o número de funcionários, gerando um Indicador de Contratação de 116,9 pontos.
Esse comportamento sugere um setor que, apesar de manter as operações em atividade, adota uma postura mais conservadora em relação a novos investimentos. “O Indicador de Contratação elevado indica a expectativa de crescimento operacional, possivelmente ligado a ajustes sazonais ou recomposição de equipes. Contudo, o nível de investimento abaixo da linha de 100 pontos é um sinal de que os empresários estão priorizando liquidez e gestão de riscos em detrimento de expansões estruturais”, concluiu um especialista.
