Confiança do Comércio em Cuiabá em Queda
Apesar dos sinais de melhoria nas intenções de consumo das famílias em Cuiabá, a confiança dos empresários do setor comercial da cidade continua a enfrentar um cenário desafiador. A pesquisa que mensura a Confiança do Empresário do Comércio (Icec) revelou a terceira retração consecutiva do indicador, apontando para um período de incertezas.
Os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram um recuo de 1,3% em fevereiro em comparação ao mês anterior, levando o índice a 95,7 pontos. Essa queda se torna ainda mais significativa quando comparada a novembro do ano passado, quando o índice atingiu 104,9 pontos, representando uma retração acumulada de 8,8%.
Com esse resultado, o Icec permanece abaixo da linha de 100 pontos, que delimita o otimismo do pessimismo entre os empresários. O indicador é crucial, pois avalia a percepção dos empresários sobre as condições atuais da economia, do próprio setor e de suas empresas, além das expectativas para investimentos a curto e médio prazos.
Expectativas e Condições de Mercado
Na comparação anual, a queda no índice é de 5,5%, refletindo um início de ano marcado por uma maior cautela entre os empresários. A redução mensal foi impulsionada, principalmente, pela diminuição do Índice de Expectativa do Empresário do Comércio, que caiu 2,1%, e pelo Índice de Investimento, que evidenciou uma queda de 2,8%. Entretanto, o subíndice de Condições Atuais apresentou um avanço de 2,3% no mês, sugerindo uma leve melhora na percepção imediata do mercado.
O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, destacou que o contexto econômico nacional exerce uma influência direta sobre o comportamento dos empresários locais. “Vivemos um ambiente de incertezas macroeconômicas, embora as condições internas estejam apresentando sinais de superação. A confiança no cenário interno impede uma retração mais acentuada, enquanto a situação macroeconômica limita decisões mais arrojadas de investimento”, comentou.
Conforme apontado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio (IPF-MT), o componente que avalia as Condições Atuais da Economia Brasileira continua a ser um fator primordial de pessimismo. Para 51,1% dos empresários entrevistados, a situação econômica piorou significativamente. No que se refere ao comércio, 43,9% afirmam que as condições do setor deterioraram fortemente.
Resiliência Interna e Expectativas Futuras
Em contraste, o índice que mensura as Condições Atuais das Empresas permanece acima da linha de neutralidade, com 109,5 pontos, sugerindo que uma parte considerável dos empresários percebe um desempenho interno mais forte em comparação ao ambiente macroeconômico. Em termos de previsões, o índice geral ainda está em zona otimista, marcando 112,7 pontos, embora tenha desacelerado. A Expectativa das Empresas, especificamente, alcança um expressivo 126,4 pontos.
No que diz respeito ao emprego, a pesquisa revelou que 64,3% dos empresários planejam aumentar o número de funcionários, resultando em um Indicador de Contratação de 116,9 pontos. Segundo Wenceslau Júnior, esse comportamento indica um setor ativo, embora cauteloso em relação a novos investimentos. “O Indicador de Contratação elevado sugere uma expectativa de crescimento operacional, possivelmente ligada a ajustes sazonais ou à recomposição de equipes. Contudo, o nível de investimento abaixo de 100 pontos demonstra que os empresários estão priorizando a liquidez e a gestão de riscos em vez de uma expansão estrutural”, explicou.
Em resumo, a análise do IPF-MT revela um empresariado dividido. Enquanto as dinâmicas internas das empresas demonstram resiliência, a visão sobre a economia brasileira continua frágil, restringindo decisões mais ousadas de expansão nos próximos meses.
