Aliados de Lula Reafirmam a Autonomia das Investigações
Uma pessoa próxima a Lulinha declarou ao g1: “O presidente Lula deixa a Polícia Federal investigar”. Essa afirmação se tornou um ponto recorrente entre os políticos que apoiam o governo, que buscam distinguir a postura de Lula da do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quando questionado sobre as suspeitas envolvendo Lulinha, um deputado federal do PT argumentou que, na gestão passada, “o presidente trocava delegados da Polícia Federal (PF) para proteger sua família”, referindo-se a uma denúncia de 2020 feita por Sergio Moro (União-PR), ex-ministro da Justiça e atualmente senador.
A pressão sobre o governo e sobre Lulinha aumentou após a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático (que inclui e-mails e nuvens) do filho do presidente. O advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori Santos, emitiu uma nota afirmando que, “diante da incessante campanha midiática que reproduz dados parciais e confidenciais” da investigação sobre fraudes no INSS, solicitou acesso ao inquérito que investiga as irregularidades.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS realizou a quebra dos sigilos de Lulinha em uma sessão tumultuada que gerou questionamentos por parte dos governistas. Após essa sessão, ficou claro que o ministro Mendonça já havia autorizado as quebras de sigilo em janeiro, em resposta a um pedido da PF.
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Lula, está no centro dessas investigações.
As Suspeitas e o Envolvimento no Esquema
As investigações apontam Lulinha como envolvido em um esquema de desvios de aposentadorias e pensões, ligado a um lobista conhecido como Antônio Carlos Camilo Antunes, popularmente chamado de Careca do INSS, e à empresária Roberta Luchsinger, de São Paulo. A Polícia Federal identificou cinco transferências de R$ 300 mil de uma empresa de Careca para uma empresa de Roberta, totalizando R$ 1,5 milhão, levantando a suspeita de que esse montante poderia ter sido desviado de aposentadorias.
Conversas por WhatsApp entre Careca e um ex-sócio revelam que o lobista mencionava um dos pagamentos para Roberta como sendo “para o filho do rapaz”, embora não especifique quem seria essa pessoa. Um ex-funcionário de Careca, que colaborou com a PF, alegou que o lobista afirmava pagar uma mesada de R$ 300 mil a Lulinha, com o intuito de que ele ajudasse uma de suas empresas, a World Cannabis, a comercializar produtos de canabidiol junto ao Ministério da Saúde.
Além disso, Roberta também trocou mensagens com Careca, mencionando que “acharam um envelope com o nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. O envelope continha o nome “Fábio” e ingressos para um evento musical, levando a especulações sobre o conteúdo do material encontrado.
A Defesa e as Relações Pessoais
A defesa de Lulinha tem negado veementemente as acusações. Um interlocutor próximo a ele qualificou como “improvável” que Careca tenha afirmado pagar mesada ao filho do presidente. Um amigo de Lulinha ressaltou, em reserva, que ele nunca negou a amizade com Roberta Luchsinger, que é uma das melhores amigas de Renata, esposa de Lulinha.
O advogado Marco Aurélio Carvalho, membro do Grupo Prerrogativas e defensor de Lulinha em outros casos, salientou que o filho do presidente já foi alvo de notícias falsas que o vinculavam a bens de luxo, o que não era verdadeiro. Bruno Salles, advogado de Roberta Luchsinger, confirmou que ela recebeu pagamentos de Careca, mas afirmou que os valores eram legais e não destinados a Lulinha.
Sobre as mensagens que indicam preocupações de Roberta em relação à apreensão do envelope com o nome de “Fábio”, Salles argumentou que os diálogos estão “completamente fora do contexto” e se inserem em um diálogo mais amplo que não foi divulgado. Ele se absteve de fornecer mais detalhes em razão do sigilo do inquérito.
