Confiança em Queda: Empresários Cautelosos Mesmo com Sinais de Melhorias
Apesar do aumento na intenção de consumo das famílias em Cuiabá, a confiança do setor empresarial continua a apresentar sinais de desaceleração. Os dados mais recentes da pesquisa sobre a Confiança do Empresário do Comércio (Icec) revelam uma terceira queda consecutiva do índice, que agora se posiciona em 95,7 pontos, após um recuo de 1,3% em fevereiro em relação ao mês anterior.
Esse resultado é ainda mais preocupante quando comparado ao índice de novembro do ano passado, que alcançava 104,9 pontos, evidenciando uma retração acumulada de 8,8%. A marca de 100 pontos, que separa a visão otimista da pessimista, permanece distante, refletindo uma avaliação crítica sobre as condições atuais da economia, o setor e as empresas em particular, além das expectativas de investimentos a curto e médio prazo.
No comparativo anual, a situação é igualmente alarmante, com uma queda de 5,5%, o que indica que o início de 2024 tem sido caracterizado por uma cautela crescente entre os empresários. Essa retração mensal foi influenciada por uma diminuição no Índice de Expectativa do Empresário do Comércio, que caiu 2,1%, e no Índice de Investimento, que recuou 2,8%. Para equilibrar, o subíndice de Condições Atuais teve um leve aumento de 2,3%, sugerindo uma melhora na percepção imediata do cenário.
Wenceslau Júnior, presidente da Fecomércio-MT, ressaltou a conexão direta entre o cenário nacional e o comportamento dos comerciantes locais. “O ambiente econômico que vivemos é repleto de incertezas em uma escala macro, enquanto as micro condições estão superando essas dificuldades. Essa confiança interna está evitando uma retração mais severa, mesmo com um contexto macroeconômico que limita decisões mais audaciosas de investimentos”, afirmou.
Divisão Entre Otimismo e Pessimismo
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio (IPF-MT) indica que a avaliação das Condições Atuais da Economia Brasileira continua a ser um fator crucial para o pessimismo. Dos empresários entrevistados, 51,1% acreditam que a situação piorou significativamente. No setor do comércio, esse percentual é de 43,9%, que também notam uma deterioração preocupante nas condições.
Entretanto, o índice que avalia as Condições Atuais das Empresas permanece acima da neutralidade, marcando 109,5 pontos, o que sugere que uma parte considerável dos empresários percebe uma resiliência em seus desempenhos internos, mesmo diante do clima macroeconômico adverso.
As expectativas gerais, por outro lado, ainda flutuam em uma zona de otimismo, com 112,7 pontos, embora essa tendência esteja apresentando sinais de desaceleração. A Expectativa das Empresas, especificamente, atinge um impressionante 126,4 pontos. No que diz respeito ao emprego, 64,3% dos empresários manifestam a intenção de aumentar seus quadros de funcionários, resultando em um Indicador de Contratação de 116,9 pontos.
Uma Visão Cautelosa para o Futuro
De acordo com Wenceslau Júnior, esse comportamento revela um setor que se mantém ativo, mas que adota uma postura conservadora em relação a novas investidas. “O Indicador de Contratação elevado sugere uma expectativa de crescimento operacional, possivelmente ligada a ajustes sazonais ou à recomposição de equipes. Contudo, a situação de investimento abaixo de 100 pontos indica que os empresários estão priorizando a liquidez e a gestão de riscos, ao invés de uma expansão estrutural significativa”, concluiu.
Em resumo, a análise do IPF-MT evidencia um ambiente empresarial dividido: enquanto a dinâmica interna das organizações mostra sinais de resiliência, a percepção em relação à economia brasileira permanece frágil, limitando tomadas de decisões mais ousadas para os próximos meses.
