Seminário sobre Desafios e Perspectivas no Planejamento Territorial
Nos dias 25 e 26 de fevereiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) participou do seminário “Bacias Hidrográficas e Ordenamento Territorial: Desafios e Perspectivas para o Planejamento Territorial Sustentável”. O evento, organizado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) no campus de Cuiabá, reuniu um variado público, incluindo pesquisadores, estudantes, gestores públicos, técnicos, representantes do setor produtivo e coletivos culturais. O principal objetivo foi discutir a bacia hidrográfica como uma unidade estratégica para o planejamento territorial, especialmente no contexto da realidade mato-grossense.
A participação do Iphan foi marcada pela apresentação da superintendente do órgão em Mato Grosso, Ana Joaquina Cruz, e do chefe da Casa do Patrimônio em São Paulo, André Bazzanella. Ambos contribuíram com estudos de casos que exploram experiências e abordagens relativas ao uso de bacias hidrográficas no planejamento territorial, além de discutir o zoneamento socioeconômico e ecológico e sua relação com o patrimônio cultural, tanto material quanto imaterial.
Ana Joaquina destacou a relevância do Sistema Nacional de Patrimônio Cultural, um mecanismo que estabelece articulações em rede entre diferentes esferas do governo e organizações da sociedade civil. “É crucial que o patrimônio cultural seja visto em sua totalidade, levando em conta o espaço em que está inserido e as comunidades ao seu redor. As políticas intersetoriais de patrimônio são fundamentais para estruturar identidades e territorialidades, além de garantir direitos e promover uma gestão territorial sustentável”, declarou.
André Bazzanella também compartilhou insights sobre a gestão colaborativa das políticas públicas no setor. Em sua fala, ele apresentou a experiência da Casa do Patrimônio, que desde 2017 tem formado a rede Observatório da Paisagem do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Esta rede reúne parceiros de diversos municípios da região com o intuito de promover eventos e articular ações voltadas à preservação do patrimônio cultural.
O Diálogo entre Patrimônio Cultural e Meio Ambiente
A participação do Iphan neste seminário reflete uma agenda crescente que busca a integração entre políticas de patrimônio cultural e iniciativas de preservação ambiental. Nos últimos anos, o Instituto tem se empenhado em alinhar suas ações com as demandas urgentes de enfrentamento às mudanças climáticas, buscando uma atuação que promova a proteção do meio ambiente e do patrimônio cultural.
Desde 2023, em associação com o Comitê de Mudanças Climáticas e Patrimônio do ICOMOS Brasil, o Iphan iniciou o Ciclo de Diálogos sobre Patrimônio Cultural e Ações Climáticas. Esta iniciativa visa engajar gestores públicos, pesquisadores e detentores de bens culturais, promovendo um intercâmbio de experiências e estratégias para lidar com os impactos das mudanças climáticas sobre o patrimônio, tanto material quanto imaterial.
No final de 2025, o Iphan participou de um acordo de cooperação técnica focado em ações de arborização, reflorestamento e recuperação ambiental na Paraíba. Além disso, por meio do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), o Instituto se uniu a universidades para a preservação do patrimônio arqueológico em face das mudanças climáticas. O Departamento de Articulação, Fomento e Educação (Dafe) também se destacou ao publicar dois materiais que abordam a relação entre mudanças climáticas e patrimônio cultural.
Em dezembro do mesmo ano, o Iphan estabeleceu um acordo com órgãos ambientais a fim de fortalecer comunidades tradicionais que possuem modos de vida indissociáveis da preservação dos biomas brasileiros. Essas iniciativas demonstram a busca constante do Iphan por uma atuação que considere a interdependência entre patrimônio cultural e meio ambiente, traçando um caminho para um futuro mais sustentável.
