A Luta por Valorização do Magistério
Em reunião realizada nesta terça-feira (24), o Conselho de Representantes do SISMMAC concentrou esforços na mobilização do magistério para o início do ano letivo. A atual gestão de Pimentel, segundo os representantes, tem implementado uma política que desvaloriza a carreira docente, além de criar um cenário de desorganização da rede municipal de ensino. “Diante de tantos desafios, é imperativo que ampliemos nossa mobilização”, afirmam os membros do conselho.
Um dos temas centrais discutidos foi o Crescimento Vertical, um recurso que deveria ter sido implementado para promover avanços na carreira, mas que continua sendo tratado pela Prefeitura como algo secundário. Após mais de uma década com a carreira congelada, a gestão atual impõe critérios que tornam difícil a ascensão profissional dos educadores. Além disso, mesmo com a publicação de editais, não há um cronograma definido para a implementação, deixando os educadores sem previsibilidade sobre suas conquistas. Os professores que investiram em sua formação continuam sendo prejudicados por essa falta de comprometimento.
Além do Crescimento Vertical, o procedimento de crescimento horizontal também esbarra na desorganização da gestão municipal. Sem um compromisso claro, a Prefeitura corre o risco de repetir o padrão de atrasos e indefinições, que só agravam a situação dos profissionais da educação. A conclusão é clara: a questão não é de orçamento, mas de escolha política da administração.
A Questão do Descongela
Outro ponto abordado foi o Descongela, uma medida aprovada no governo Lula que visa considerar o período de 28 de maio de 2020 a 31 de dezembro de 2021 para a contagem de direitos como anuênios, quinquênios e licenças-prêmio. Enquanto outras administrações já definiram cronogramas para a implementação dessa medida, em Curitiba, a gestão Pimentel ainda não apresenta um plano concreto. Isso deixa os professores sem acesso a direitos que poderiam impactar diretamente suas aposentadorias.
Desorganização e Fracasso na Educação Municipal
No primeiro ano da gestão Pimentel na Secretaria Municipal de Educação, a instabilidade tem sido a constante. Decisões são tomadas sem diálogo com a categoria, como a retirada da coordenação administrativa e a implementação de mudanças curriculares sem respaldo normativo. Tais atitudes resultam em orientações contraditórias e indefinições que afetam diretamente a organização do tempo escolar, causando desgaste nas unidades de ensino logo no início do ano letivo.
A substituição do secretário não trouxe esperanças de mudança. A nomeação de Paulo Schmidt é vista como um retorno a um modelo que já causou danos nas gestões anteriores, levando à redução de profissionais nas escolas e à sobrecarga dos que permanecem. O problema se estende além da figura do secretário; é um projeto mais amplo que os educadores precisam enfrentar.
Militarização: Um Perigo para a Educação
Durante a reunião, o projeto de militarização das escolas municipais também foi debatido. Essa iniciativa representa uma ameaça à democracia escolar e à gestão interna das unidades de ensino. Ao redirecionar recursos que deveriam ser investidos na valorização do magistério, a proposta visa financiar cargos militares, em um momento em que faltam profissionais da educação, equipes pedagógicas e infraestrutura adequada.
Essa abordagem não apenas ignora os problemas reais enfrentados pelas escolas, mas também cria um clima de intimidação que pode enfraquecer a organização coletiva dos educadores. A militarização é vista como uma estratégia política para conquistar votos e apoio de setores radicais da sociedade.
Articulação e Luta Coletiva
O caso do CredCesta/Banco Master também foi pauta da reunião, onde a pressão do SISMMAC levou à suspensão de descontos em folha. Outra questão em debate foi o auxílio-transporte, além da tentativa da gestão municipal de atropelar a Conferência Municipal de Educação. O Congresso da CNTE, no qual o SISMMAC esteve presente, foi uma importante oportunidade para fortalecer a articulação nacional em defesa da educação.
Avançando para 2026, as perspectivas se desenham em torno de uma disputa de projetos para a educação municipal. De um lado, uma gestão que desvaloriza a carreira docente e improvisa na organização pedagógica; do outro, o magistério lutando por direitos, valorização e melhores condições de trabalho. A direção do SISMMAC está comprometida em realizar visitas e panfletagens nas escolas, buscando dialogar com professores e suas famílias. Uma Assembleia está prevista para março, onde os educadores poderão deliberar coletivamente sobre os próximos passos da luta, especialmente diante do descaso da gestão Pimentel.
Para que haja avanços, será necessário um esforço coletivo, mobilizando a categoria, envolvendo as famílias e preparando os professores para enfrentar os desafios do ano. Sem luta, não haverá progresso, e o futuro da educação pública de Curitiba depende da organização e mobilização do magistério.
