Custos de Produção da Soja e do Milho: Análise Atualizada
CUIABÁ – O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT) divulgaram, em janeiro de 2026, os resultados do Projeto Custo de Produção Agropecuário (CPA), trazendo estimativas para a safra 2026/27. O levantamento abrange as culturas de algodão, soja e milho, e evidenciou oscilações nos custos de produção, que foram influenciados em grande parte pelos preços e ajustes no uso de insumos, como fertilizantes.
A análise se baseia em dois indicadores: o Custo Operacional Efetivo (COE), que abrange as despesas necessárias para a atividade, incluindo manutenção, impostos e taxas; e o Custo Operacional Total (COT), que também contabiliza itens como depreciação e pró-labore. Esses parâmetros são essenciais para auxiliar no planejamento das safras e na avaliação de resultados das atividades agrícolas no estado.
Custos da Soja Transgênica
Para a soja transgênica, o custo estimado de produção foi de R$ 4.156,03 por hectare em janeiro de 2026. Essa cifra representa uma diminuição de 1,8% em relação a dezembro de 2025. O principal fator dessa redução foi a queda nas despesas com defensivos, que apresentaram uma redução de 5,69%, e com sementes, que caíram 2,94%.
No entanto, os fertilizantes continuam sendo o maior componente dos custos, totalizando R$ 1.582,92 por hectare, refletindo um aumento mensal de 2,62%. Após os fertilizantes, os defensivos somaram R$ 1.309,64 por hectare, enquanto o custo das sementes foi de R$ 498,11 por hectare.
Custo de Produção do Milho
No que diz respeito ao milho, o custo de produção foi projetado em R$ 3.558,08 por hectare, um aumento significativo de 7,19%. Este crescimento é atribuído à inclusão de novos painéis de custo, que impactaram diretamente nos componentes do custeio. O levantamento também destacou um incremento na quantidade de corretivo de solo aplicado, o que contribuiu para o aumento geral dos custos.
O estudo também observou uma troca de produtos, especialmente na categoria de defensivos, à medida que os produtores buscam maior eficácia no manejo. O gasto com defensivos foi estimado em R$ 875,29 por hectare, registrando uma alta de 18,64%. Além disso, as despesas com mão de obra subiram 21,17%, alcançando R$ 235,70 por hectare, enquanto os custos com sementes atingiram R$ 826,94 por hectare, um aumento de 6,36%.
Importância do Projeto CPA
Realizado mensalmente, o Projeto CPA tem como objetivo reunir indicadores técnicos e econômicos que apoiam o planejamento e a gestão das atividades agropecuárias em Mato Grosso. Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea, destacou a relevância desse trabalho para ampliar a base de informações disponível aos produtores. Segundo ele, isso permite que os agricultores tomem decisões mais assertivas, alinhadas à realidade do campo.
“O projeto, realizado em parceria com o Senar MT e o Imea, conta com a crescente participação dos produtores. Isso nos permite acompanhar com maior precisão a realidade do campo, devolvendo informações de qualidade que auxiliam na tomada de decisão dos produtores”, conclui Silva.
