Reflexões sobre o impacto das falas preconceituosas
Recentemente, o cirurgião-dentista Pedro Gonçalves, de Cuiabá, gerou controvérsia ao fazer declarações que levantaram a discussão sobre a gordofobia. A neuropsicóloga Adriana Paulina destacou que as falas gordofóbicas não apenas perpetuam o preconceito estético, mas também têm efeitos devastadores sobre a saúde mental e as relações interpessoais das vítimas. Segundo a especialista, ofensas como apelidar pessoas com base em seu peso ou atribuir a elas todos os problemas de saúde relacionados ao corpo podem levar a um adoecimento mental severo e ao isolamento social.
“Essas pessoas frequentemente perdem a vontade de sair de casa e enfrentam dificuldades em seus relacionamentos por conta da distorção que fazem de sua imagem corporal, conhecida como dismorfia. Esse quadro pode levar indivíduos a seguir dietas extremas ou até mesmo a recorrer ao uso de medicamentos em busca de soluções rápidas para se enquadrar nos padrões sociais”, explicou Paulina.
O dentista Pedro Gonçalves foi suspenso pelo Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT) após utilizar termos pejorativos ao se referir a nutricionistas acima do peso, alegando que esses profissionais não teriam espaço no mercado de trabalho.
Em resposta a essa situação, o Senado Federal intensificou suas ações contra a gordofobia através de uma campanha que enfatiza que a luta contra esse tipo de discriminação não é uma defesa da obesidade, mas sim uma promoção do direito à dignidade de todos. É importante notar que, apesar de a gordofobia não ser tipificada como crime no código penal, ofensas desse tipo podem ser enquadradas como crimes contra a honra, como a injúria.
Movimentos de Aceitação e Reconhecimento
Contrapondo-se ao preconceito nas falas de Gonçalves, diversas iniciativas que promovem a aceitação e a diversidade corporal estão ganhando força e visibilidade em Mato Grosso. Um destacado exemplo é o projeto fotográfico intitulado “Envenenada”, da fotógrafa Ju Queiroz, em colaboração com a filósofa Malu Jimenes. Este trabalho retrata corpos que são frequentemente marginalizados e foi premiado na renomada Bienal Black Brazil Art.
Enquanto o caso do dentista continua a ser investigado sob aspectos éticos e jurídicos, a repercussão do ensaio fotográfico evidencia a importância de ocupar espaços e combater a cultura do ódio. A mensagem central é clara: a competência profissional não está relacionada ao tipo de corpo que alguém possui.
