Custo do Etanol em Alta
Mato Grosso, conhecido por ser o maior produtor de milho e etanol de milho do Brasil, enfrenta um novo desafio: o preço do etanol hidratado atinge um recorde histórico nas bombas de combustíveis. Desde a última semana, os postos em Cuiabá e Várzea Grande começaram a vender o litro do etanol a R$ 4,79. Essa alta vem causando preocupação entre os consumidores, que agora notam uma significativa diminuição no volume que conseguem abastecer.
O famoso ditado de abastecer R$ 50 vai perdendo força, já que com a nova tabela de preços, os motoristas estão levando apenas 10,43 litros para casa, em comparação com mais de 13 litros que conseguiam há um ano. Apesar de parecer um detalhe pequeno, essa diferença impacta diretamente na autonomia dos veículos, tornando a situação ainda mais complicada para quem depende do etanol.
Surpreendentemente, muitos consumidores ainda não perceberam as mudanças nos preços. Angélica Mendes, dona de casa e usuária frequente de combustível, questionou: “Desde quando aumentou?”. Ela admite que abasteceu algumas vezes recentemente sem notar que estava pagando o mesmo valor, mas recebendo menos etanol. “É triste ver que, mesmo sendo o estado do agro, os preços de óleo de soja e etanol estão tão altos como desde a pandemia”, critica.
Um frentista identificado como ‘Júnior’ explicou que a alta no posto foi oficializada na quarta-feira passada. “A gente só troca o preço, é o que mandam fazer”, contou, refletindo a falta de controle que muitos trabalhadores do setor sentem.
De acordo com o monitoramento realizado pelo MT Econômico, a recente elevação de R$ 0,10 é significativa, considerando que o valor anterior era de R$ 4,69, que já era um recorde no ano de 2026. O aumento foi registrado em um intervalo de aproximadamente 30 dias.
Panorama Nacional dos Combustíveis
Em uma análise mais abrangente, os preços médios dos combustíveis no Brasil mostraram um aumento na primeira quinzena de fevereiro de 2026 em comparação com o mesmo período em janeiro. O etanol teve um aumento expressivo de 2,36%, custando em média R$ 4,77. A gasolina, por sua vez, subiu apenas 0,16%, atingindo o preço médio de R$ 6,45. Esses dados são parte da análise mais recente do Índice de Preços Ticket Log (IPTL).
Renato Mascarenhas, diretor de Rede Abastecimento da Edenred Mobilidade, comentou sobre a situação. “Mesmo com a redução promovida pela Petrobras em janeiro, os preços dos combustíveis continuam subindo, influenciados pela alta do ICMS e por fatores que afetam toda a cadeia de distribuição. A menor oferta típica entre safras tem pressionado os preços do etanol, enquanto na gasolina, custos logísticos e dinâmicas regionais complicam a repasse de reduções ao consumidor”, detalhou.
Comparativo Regional dos Preços
Ao considerar as regiões do Brasil, o Norte é a área que apresenta os maiores preços médios, com o etanol custando R$ 5,33 e a gasolina R$ 6,84. Por outro lado, o Sudeste registra os menores preços médios, com o litro do etanol a R$ 4,70 e da gasolina a R$ 6,34.
O Nordeste, em contrapartida, apresenta as maiores altas nos preços, com o etanol chegando a R$ 5,10, alta de 2,82%. A gasolina na região também subiu 0,62%, alcançando R$ 6,53. O Centro-Oeste, representado por Mato Grosso, mostra uma leve queda na gasolina, que caiu 0,31%, com média de R$ 6,53.
Entre os estados, o Amazonas registra o etanol mais caro do país, com um valor médio de R$ 5,47, enquanto São Paulo possui o menor preço médio, a R$ 4,58, mesmo com um aumento de 3,15% em relação ao mês anterior. Pernambuco se destaca com o maior aumento, de 5,35%, levando o preço médio do etanol a R$ 5,12. Em contrapartida, Alagoas teve a maior redução, de 0,19%, com o etanol a R$ 5,32.
Quanto à gasolina, as maiores médias continuam a ser registradas na região Norte, com Roraima apresentando o valor de R$ 7,41. O menor preço foi encontrado na Paraíba, a R$ 6,16, após uma queda de 0,32%. O Rio Grande do Norte observou o maior aumento da gasolina, de 2,81%, enquanto o Distrito Federal teve a maior queda, de 1,35%, mantendo o preço a R$ 6,59.
