Desafio do Agronegócio: Produzir Mais em Menos Terreno é Imperativo Estrutural
O agronegócio mundial se depara com um dos seus desafios mais significativos: produzir mais alimentos e fibras em áreas cada vez menores. A pressão por eficiência no uso dos recursos naturais, combinada com a crescente demanda global por alimentos, torna a intensificação produtiva não apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica. Com a limitação de terras disponíveis e a urgência em manter a saúde do meio ambiente, é essencial que os produtores rurais encontrem maneiras inovadoras de aumentar a produtividade sem comprometer a sustentabilidade das suas atividades.
Em entrevista ao Mundo Agro, Luís Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, analisa as práticas que se tornaram fundamentais para alcançar esse objetivo, destacando a importância do manejo do solo, rotação de culturas e uso de tecnologia na agricultura. Schiavo enfatiza que a combinação de técnicas tradicionais e novas abordagens pode proporcionar um salto significativo na produtividade por hectare.
Mundo Agro: Por que o aumento da produção em áreas menores se tornou o foco principal do agronegócio global?
Luís Schiavo: O desafio de produzir mais em menos espaço surge da finitude dos recursos naturais. O crescimento da demanda por alimentos e fibras exige que os produtores maximizem a eficiência em suas áreas já cultivadas, unindo produtividade, sustentabilidade e rentabilidade.
Mundo Agro: E como o crescimento da população afeta esses sistemas produtivos?
Luís Schiavo: O aumento populacional acentua a demanda por produtos essenciais, como alimentos e energia, pressionando sistemas que já estão operando em sua capacidade máxima. Isso exige uma produção mais eficiente, ciclos agrícolas otimizados e uma diminuição no desperdício de insumos.
Mundo Agro: O Brasil está preparado para atender essa demanda global?
Luís Schiavo: Sem dúvida! O Brasil possui um clima favorável, diversidade de solos e a capacidade de realizar múltiplas safras anualmente. A profissionalização dos produtores é um diferencial que possibilita uma intensificação produtiva sustentável, algo que poucos países conseguem alcançar na mesma escala.
Mundo Agro: O que implica, na prática, em aumentar a eficiência do uso do solo?
Luís Schiavo: Significa maximizar o potencial produtivo do solo sem comprometê-lo. Isso envolve práticas adequadas de manejo físico, químico e biológico, escolha de culturas corretas e uma aplicação precisa de insumos.
Mundo Agro: Quais obstáculos ainda impedem que os produtores aumentem a produtividade em suas áreas atuais?
Luís Schiavo: Os principais entraves incluem o manejo inadequado do solo, compactação e desequilíbrio nutricional, além de falhas nas tecnologias de aplicação. Muitas vezes, investimentos em insumos não se traduzem em eficiência devido à falta de planejamento adequado.
Mundo Agro: É viável elevar a produção sem um aumento significativo dos custos?
Luís Schiavo: É possível sim! Eficiência, nesse contexto, refere-se a produzir mais com os mesmos investimentos. Ajustes no manejo e no uso de biológicos podem reduzir as perdas e melhorar o retorno sobre o investimento.
Mundo Agro: Qual é a relevância do manejo do solo na busca pela maior produtividade?
Luís Schiavo: O manejo do solo é fundamental. Um solo bem cuidado, com boa infiltração de água e vida microbiana ativa, é essencial para que as plantas possam alcançar seu máximo potencial produtivo.
Mundo Agro: Como práticas como cobertura vegetal impactam as lavouras?
Luís Schiavo: A cobertura vegetal protege o solo, conserva a umidade e favorece a atividade biológica. Isso cria um ambiente estável para o crescimento das raízes e a atividade dos microrganismos.
Mundo Agro: Por que a rotação de culturas é considerada essencial para a sustentabilidade das lavouras?
Luís Schiavo: A rotação de culturas quebra ciclos de pragas, melhora a fertilidade do solo e diminui a dependência de insumos químicos. Além disso, promove um equilíbrio biológico e aumenta a resiliência dos sistemas produtivos ao longo do tempo.
Mundo Agro: O sistema soja-milho safrinha é um bom exemplo de intensificação produtiva?
Luís Schiavo: Certamente! É um dos melhores exemplos de intensificação sustentável no Brasil. A soja, ao fornecer nitrogênio, melhora as condições do solo para o milho safrinha, aumentando a produtividade sem necessidade de expandir áreas agrícolas.
Mundo Agro: Quais os benefícios da rotação no médio e longo prazo?
Luís Schiavo: A rotação melhora a estrutura do solo, eleva a matéria orgânica e reduz custos com defensivos, além de garantir maior estabilidade produtiva entre as safras.
Mundo Agro: Como os produtos biológicos e a nutrição de plantas contribuem para o aumento da produção em áreas reduzidas?
Luís Schiavo: Os produtos biológicos estimulam a vida do solo e melhoram a disponibilidade de nutrientes. Uma nutrição adequada, aliada a essas práticas, fortalece o sistema radicular e maximiza a absorção de nutrientes, resultando em altos níveis de produtividade.
Mundo Agro: A tecnologia de aplicação faz diferença no rendimento?
Luís Schiavo: Com certeza! Uma aplicação efetiva é crucial; casos de aplicações mal executadas podem gerar desperdício e elevar custos. Tecnologias bem ajustadas potencializam resultados e eficiência operacional.
Mundo Agro: Os produtores estão prontos para adotar inovações?
Luís Schiavo: O produtor brasileiro tem mostrado grande evolução e abertura para inovações. Ele busca informações e resultados concretos. O desafio é levar conhecimento técnico de qualidade para o campo.
Mundo Agro: Como equilibrar produtividade e sustentabilidade?
Luís Schiavo: Esse equilíbrio é alcançado por meio de uma gestão eficiente. Ao adotar boas práticas, o produtor reduz riscos, melhora as margens e preserva os recursos naturais, provando que sustentabilidade e rentabilidade podem coexistir.
Mundo Agro: Quais práticas serão essenciais para o agronegócio nos próximos anos?
Luís Schiavo: O manejo estruturado do solo, a rotação de culturas, o uso de biológicos, a agricultura de precisão e a tecnologia de aplicação serão fundamentais. Além disso, o foco em indicadores de eficiência e sustentabilidade será crucial para o sucesso do produtor.
Mundo Agro: Que mensagem o senhor deixaria para os produtores diante desse cenário de desafios?
Luís Schiavo: O futuro do agronegócio depende da eficiência. Produzir mais em menos área não é somente uma exigência, mas uma responsabilidade com o planeta. Os que investirem em conhecimento e tecnologia estarão prontos para crescer de forma sólida e sustentável.
