Cuiabá se despede de Masanobu Kazurayama
O artista plástico Masanobu Kazurayama, conhecido por ser um dos poucos sobreviventes da bomba atômica de Nagasaki, faleceu na última quarta-feira em Cuiabá, aos 86 anos. Ao longo de sua vida, ele não apenas superou os horrores da guerra, mas também se tornou uma referência na arte, atuando como mestre do curso de pintura no Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso, onde orientou diversas gerações de artistas. Seu trabalho era um reflexo de suas origens, com exposições anuais no museu do Morro da Caixa d’Água Velha, onde apresentava obras que retratavam paisagens do Japão, do Canadá e do Pantanal, frequentemente em colaboração com seus alunos.
A técnica de Kazurayama era amplamente admirada por sua sofisticação, que combinava traços nipônicos com elementos da estética pantaneira e cuiabana, criando um estilo único e marcante. Sua trajetória começou em 1961, quando chegou a Mato Grosso, parte de um movimento migratório japonês que se intensificou a partir de 1953. Essa contribuição cultural foi fundamental na formação das identidades de cidades como Cuiabá e Várzea Grande, além de auxiliar no desenvolvimento de novos municípios como Araputanga e Pedra Preta.
Um legado de superação e arte
Originário de uma família de hibakushas, termo que designa os sobreviventes das bombas atômicas, Kazurayama viveu a devastação que se seguiu ao ataque de Nagasaki, ocorrido em 9 de agosto de 1945. Essa tragédia resultou em um grande número de mortes imediatas e na destruição quase total da cidade, contribuindo para o desfecho da Segunda Guerra Mundial. De acordo com dados do governo japonês, no ano passado restavam menos de 100 mil sobreviventes da catástrofe em todo o mundo.
Ao se estabelecer em Mato Grosso, Masanobu construiu uma carreira que se destacou pela resiliência, pelo trabalho árduo e, acima de tudo, pelo amor à arte. A prefeitura de Cuiabá homenageou sua memória. O prefeito Abílio Brunini (PL) expressou em nota seu pesar: “Neste momento de dor, nossa gestão se solidariza com familiares, amigos, alunos e admiradores, reconhecendo a importância de sua trajetória para a história cultural de Cuiabá. Seu talento, sensibilidade e compromisso com a arte deixarão um legado duradouro nas memórias da cidade e nas obras que ele criou”.
O sepultamento do artista ocorreu na mesma noite de seu falecimento, marcando o fim de uma vida dedicada à expressão artística e à resiliência diante da adversidade. Kazurayama deixa um vazio na comunidade artística e na história cultural de Cuiabá, mas seu legado e suas obras continuarão a inspirar futuras gerações.
