Um Cenário de Exclusão e Desafios
O número de pessoas que vivem em situação de rua em Mato Grosso apresentou um aumento significativo de 12% em apenas um ano, saltando de 3.603 em 2024 para 4.068 em 2025. Este crescimento alarmante é especialmente notável na capital, Cuiabá, onde 1.758 indivíduos estão em situação de vulnerabilidade nas ruas. Histórias de exclusão social, conflitos familiares e dependência química compõem o retrato dessa realidade tão complexa.
Um exemplo é o relato de um homem de 33 anos, que preferiu manter sua identidade em sigilo. Ele contou que a vida nas ruas começou após desentendimentos com sua mãe e um agravamento do vício em drogas. “Não é que seja fácil. A gente arruma dinheiro quase todo dia. Se for juntar o quanto eu junto no mês, dá mais do que um assalariado. Em parte de droga, vai tudo”, desabafou.
Perfil da População em Situação de Rua
Os dados coletados em Cuiabá revelam que a maioria da população em situação de rua é composta por homens, representando 91% do total. Além disso, 82% se autodeclaram negros, 58% não concluíram o ensino fundamental e 94% vivem sozinhos. O que é ainda mais alarmante é que mais de 1.500 indivíduos afirmam não ter contato com familiares. Cristiano Silva, pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta que a situação está ligada a questões estruturais e históricas, como desigualdade racial e acesso limitado à educação e saúde ao longo dos anos.
Serviços de Apoio em Cuiabá
Na capital, o Centro Pop, localizado na Rua Comandante Costa, oferece diversos serviços, como alimentação, banho, emissão de documentos, apoio psicossocial e encaminhamentos de saúde. Robson Aguiar, gerente do centro, explica que a triagem é uma etapa fundamental para direcionar os serviços adequados aos necessitados. Muitos frequentadores buscam benefícios, tentam regularizar sua documentação ou procuram abrigo para retomar a estabilidade em suas vidas.
Desafios da Estrutura Atual
No entanto, a infraestrutura disponível enfrenta sérias limitações. Atualmente, Cuiabá conta com apenas 250 vagas distribuídas em três abrigos, enquanto a demanda real exige cerca de 500 vagas para um atendimento adequado à população em situação de rua. Cleverson Leite de Almeida, diretor de políticas públicas, revelou que a cidade está empenhada em expandir os serviços, com planos de reformar prédios, aumentar a capacidade dos abrigos e promover oportunidades de emprego em colaboração com outras secretarias.
Iniciativas Habitacionais
No setor habitacional, a secretária Michelle Dreher Alves informou que apenas 3% das unidades do programa Casa Cuiabana foram destinadas a pessoas em situação de rua. No primeiro sorteio de 500 unidades, apenas 25 indivíduos se declararam nessa condição, sendo necessário comprovar a situação para validação pelo conselho e pela Caixa Econômica Federal.
A Necessidade de Ações Estruturais
Apesar dos avanços nas políticas públicas, o aumento constante da população em situação de rua em Mato Grosso evidencia que as soluções pontuais são insuficientes. É premente a necessidade de ações estruturais e de uma integração efetiva entre programas sociais e habitacionais, a fim de reduzir a vulnerabilidade desta população tão fragilizada.
