Mato Grosso: O 10º Estado com o Maior Custo de Vida do Brasil
Gerenciar as finanças pessoais tem se tornado uma tarefa complexa para muitos brasileiros. Segundo a pesquisa “Custo de Vida no Brasil”, realizada pela Serasa em colaboração com o instituto Opinion Box, o custo médio mensal de vida no país atinge R$ 3.520. Este valor leva em conta gastos com moradia, contas fixas, alimentação, transporte, saúde, educação, lazer e outros serviços essenciais.
No cenário nacional, Mato Grosso ocupa a 10ª posição no ranking de custo de vida, com um valor médio de R$ 3.360. Essa quantia reflete os gastos com despesas e hábitos de consumo dos residentes, que enfrentam aumentos constantes em suas despesas fixas.
Com um cenário cada vez mais desafiador, despesas como supermercado, moradia e contas fixas pressionam o orçamento das famílias. Apenas 19% dos entrevistados consideram fácil a gestão de suas despesas diárias, evidenciando a necessidade de um planejamento financeiro eficaz.
DESPESAS ESSENCIAIS: O PESO NO ORÇAMENTO
Ao analisar a composição do orçamento mensal dos brasileiros, três categorias se destacam por seu impacto significativo: supermercado, contas fixas e moradia, que juntas representam 57% dos gastos. Essas despesas não apenas são prioritárias, mas também são vistas como as mais difíceis de administrar.
“Quando as despesas essenciais consomem uma parte tão significativa do orçamento, há menos espaço para imprevistos. Isso torna o planejamento financeiro ainda mais crucial, pois essas contas não podem ser adiadas e gastos inesperados podem levar ao endividamento”, alerta Jeniffer Chagas, especialista em educação financeira da Serasa.
VARIAÇÕES REGIONAIS EM GASTOS
Analisando as despesas com supermercado, o gasto médio nacional é de R$ 930, com o Sul apresentando os maiores valores, em torno de R$ 1.110, e o Nordeste com os menores, cerca de R$ 780. No que diz respeito a contas recorrentes, que incluem serviços como água, luz e internet, a média brasileira é de R$ 520, com variações que vão de R$ 590 no Centro-Oeste a R$ 420 no Nordeste.
Os gastos com moradia, que englobam aluguel e financiamentos, também mostram grande variação regional. O custo médio nacional é de R$ 1.100, com o Sul registrando o maior valor, R$ 1.310, e o Nordeste o menor, com R$ 800. No Mato Grosso, os gastos mensais com supermercado são de R$ 860, abaixo da média nacional, enquanto as contas recorrentes saltam para R$ 670, colocando o estado no topo do ranking de despesas nessa categoria.
TRANSPORTE E SAÚDE: DIFERENÇAS POR REGIÃO
Em relação aos gastos com transporte, o brasileiro gasta em média R$ 350 mensais, quantidade que aumenta para R$ 410 no Sul e diminui para R$ 270 no Nordeste. No setor de saúde, o gasto médio nacional é de R$ 540, com o Sul e Sudeste apresentando os maiores valores. Em Mato Grosso, os gastos com transporte são de R$ 330, ficando abaixo da média nacional.
LAZER E EDUCAÇÃO: VISTAS DESIGUAIS
No que se refere ao lazer, o brasileiro gasta, em média, R$ 340 por mês. O Sul é a região com maiores gastos, atingindo R$ 400, enquanto o Nordeste apresenta o menor com R$ 270. Em educação, a média nacional é de R$ 620, com o Sudeste e Sul liderando os gastos, enquanto o Norte apresenta uma média de apenas R$ 420.
Quando observamos as despesas gerais, como calçados e produtos para pets, o brasileiro gasta cerca de R$ 390 mensais, com o Norte superando essa média, atingindo R$ 430. Em Mato Grosso, os gastos com lazer são os mais baixos do Brasil, com uma média mensal de apenas R$ 210.
A análise das despesas demonstra que o impacto do custo de vida varia consideravelmente entre as regiões do Brasil, influenciado por fatores como preços locais, estrutura de serviços e características econômicas regionais. Apesar disso, a mudança de cidade não é uma opção considerada por muitos. Apenas 10% dos entrevistados pensam em se mudar em 2026 para reduzir suas despesas.
“Esses dados indicam que o desafio está mais na reorganização do orçamento do que na mobilidade. A média de gastos ainda ultrapassa o salário-mínimo projetado, evidenciando a importância do planejamento e da administração financeira para evitar dívidas”, finaliza a especialista.
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box entre 22 de dezembro de 2025 e 6 de janeiro de 2026, abrangendo 6.063 brasileiros, com uma margem de erro de 1,2 pontos percentuais.
