Comércio de MT se posiciona contra a proposta de fim da escala 6×1
O comércio em Mato Grosso, representado pela Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL) e pelas Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado, aderiu a um movimento de repúdio à proposta de finalizar a escala 6×1. Na data de ontem (11), a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) emitiu uma Nota de Repúdio, expressando sua forte objeção ao fim desse regime de trabalho.
A proposta de mudança, prevista na PEC 8/2025, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados, sugere uma alteração drástica da jornada de trabalho para o modelo 4×3. Essa alteração implicaria na modificação do artigo 7º, inciso XIII, da Constituição Federal.
“Não se trata de uma mera resistência corporativa às mudanças. É um alerta técnico fundamentado pelo setor produtivo, que contribui com impostos e gera empregos e renda no país. A proposta, embora advogue por uma melhora na qualidade de vida, poderá se transformar em um ‘bumerangue’ que afetará o bem-estar dos trabalhadores, resultando em desemprego massivo, aumento da informalidade, fechamento de empresas e empobrecimento generalizado”, destacam os dirigentes na Nota.
Desempenho da produtividade e impactos da proposta
Conforme a CNDL, a produtividade do trabalhador brasileiro alcança, em média, apenas cerca de 25% da produtividade de um trabalhador nos Estados Unidos. Economicamente, cada hora de trabalho no Brasil gera entre US$ 17 e US$ 20, em contraste com valores que variam de US$ 65 a US$ 85 nos países da OCDE. Essa discrepância não se deve à falta de empenho dos brasileiros, mas sim a problemas estruturais em capital, tecnologia, infraestrutura e qualificação.
“Reduzir a jornada de trabalho de maneira precipitada — especialmente em um ano eleitoral — sem resolver os problemas estruturais que afetam a produtividade, como o Custo Brasil, a complexidade da nova Reforma Tributária, o déficit de infraestrutura e a falta de capital humano, é como colocar o carro na frente dos bois”, afirmam os dirigentes.
A experiência internacional, principalmente na Europa, mostra que a redução da jornada de trabalho é fruto do aumento da produtividade, e não o contrário.
“Por isso, fazemos um apelo à sociedade e convocamos os parlamentares do Congresso Nacional a rejeitar a PEC 221/2019 e suas apensadas. A CNDL defende um diálogo técnico ao invés de imposições políticas, especialmente em um tema tão delicado durante um ano eleitoral”, conclui a CNDL, respaldada por entidades estaduais como a FCDL e CDLs.
Aprovação popular e dados da pesquisa
Por outro lado, uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1. Entretanto, ao analisar mais a fundo, a aprovação cai significativamente se a mudança estiver atrelada à redução salarial.
Confira alguns dados da pesquisa:
- De forma geral, 63% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1.
- Se não houver corte salarial, esse número sobe para 73%.
- Apenas 28% apoiam a mudança caso implique em redução no pagamento dos trabalhadores.
- 84% desejam que os trabalhadores tenham pelo menos dois dias de folga por semana.
- Somente 12% da população compreende bem o que envolve a proposta que visa o fim da escala 6×1.
- Quanto mais se discute e se entende o projeto, maior é a aprovação.
