Salvaguardas em Foco
Em uma entrevista concedida ao CNN Money, o presidente da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins da Silva Junior, destacou a necessidade de implementar salvaguardas contra produtos agrícolas da Europa. Esta medida, segundo Martins, representa uma proteção essencial para os produtores brasileiros. Durante a conversa, ele enfatizou que quaisquer alterações por parte do Brasil não irão impactar de forma significativa o acordo em andamento entre Mercosul e União Europeia (UE).
Martins acredita que, apesar das salvaguardas já aprovadas pelo parlamento europeu, o agro brasileiro se beneficia de uma nova perspectiva global. Para ele, a relação com a União Europeia abre portas para o Brasil, credenciando-o a um mercado mais exigente e de alto valor. “Estamos negociando com a elite mundial”, afirmou, destacando que o acordo pode transformar a forma como o Brasil é visto internacionalmente no setor agrícola.
O presidente da CNA também ressaltou que a agricultura brasileira possui uma imagem prejudicada devido a questões relacionadas ao desmatamento. Ele argumentou que, ao longo das negociações, a percepção negativa se consolidou na Europa. Contudo, Martins afirma que o Brasil já conseguiu reverter essa imagem, demonstrando a qualidade de suas práticas agrícolas. “Mostramos que a narrativa de que estávamos desmatando e que isso afetaria o clima global não se sustenta”, disse ele.
Oportunidades no Mercado Europeu
Para o dirigente, a situação atual representa uma oportunidade para o Brasil mostrar a qualidade de sua produção agrícola ao mercado europeu. Ele acredita que os europeus reconheceram a eficiência e a produtividade do agro brasileiro, além da alta qualidade dos produtos oferecidos. A carne, por exemplo, é um dos principais itens que deve se beneficiar com o acordo entre Mercosul e UE.
Martins ressaltou que, enquanto a tendência global é de redução do rebanho de gado, o Brasil apresenta uma contracorrente, aumentando a oferta de carne. “Produzimos carne de primeira qualidade. Nos últimos anos, temos visto um crescimento significativo na produção, algo que contraria a tendência mundial”, destacou.
Essa perspectiva otimista em relação ao acordo Mercosul-UE e as reivindicações por salvaguardas refletem a confiança do setor agropecuário brasileiro em fortalecer sua presença no mercado europeu. Em meio a uma crise econômica na Europa e desafios sociais, a CNA vê no acordo uma chance de garantir a competitividade e a sustentabilidade dos produtos brasileiros no contexto internacional.
