Feira Promissora para o Agronegócio Brasileiro
A 38ª edição do Show Rural Coopavel, inaugurada nesta segunda-feira (9 de fevereiro) em Cascavel, Paraná, a 506 km de Curitiba, traz expectativas otimistas com a previsão de movimentar cerca de R$ 6 bilhões até o dia 13 de fevereiro. Este evento é considerado uma das principais vitrines tecnológicas do agronegócio nacional, reunindo fabricantes de máquinas, empresas de insumos, cooperativas, instituições financeiras e produtores, em uma área que supera os 700 mil metros quadrados.
A feira tem um papel fundamental como medidor do apetite por investimentos no campo, especialmente no período que se segue ao plantio e ao início da colheita da soja. É nessa fase que muitos agricultores definem suas aquisições de equipamentos, a adoção de novas tecnologias e as estratégias de financiamento mais adequadas. Na edição anterior do evento, mais de 400 mil visitantes marcaram presença, solidificando sua posição como um dos principais encontros do setor no primeiro trimestre do ano.
Instituições Financeiras em Ação
Durante a feira, as instituições financeiras intensificam sua atuação na oferta de crédito rural. O Banco do Brasil, por exemplo, projeta receber R$ 2 bilhões em propostas de financiamento durante o evento. A instituição disponibilizará linhas de crédito direcionadas tanto para agricultores familiares quanto para médios e grandes produtores, além das cooperativas. Os recursos virão do Plano Safra, com taxas de juros a partir de 2,5% ao ano, dependendo da modalidade escolhida.
Ao longo da semana, a prática de celebrar contratos diretamente nos estandes dos expositores é comum, e isso costuma antecipar investimentos que estão programados para os meses seguintes, especialmente nas áreas de máquinas agrícolas, armazenamento e ampliação da capacidade produtiva.
Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, destacou que a participação no evento é parte de uma estratégia comercial mais ampla do banco na região Sul. Ele enfatizou a importância de aproximar-se dos produtores e cooperativas, buscando oferecer financiamentos que se adequem ao perfil de cada um.
Um Olhar Crítico sobre o Setor
O Show Rural também reflete o atual cenário econômico do agronegócio. Após uma safra robusta, os produtores chegam ao evento com uma postura mais criteriosa, priorizando investimentos que proporcionem eficiência operacional, redução de custos e melhor gestão de riscos. Nesse contexto, o acesso a financiamento se torna um fator crucial para a realização dos negócios.
Além disso, a feira é um espaço de inovação, onde são apresentadas tecnologias de precisão, soluções digitais e alternativas sustentáveis. A negociação direta entre cooperativas, fornecedores e agricultores é uma prática comum, e analistas acreditam que o volume de contratos firmados durante a semana pode antecipar as tendências de investimento no agronegócio nos próximos meses.
Impactos da Reforma Tributária no Agronegócio
A reforma tributária que afeta o consumo começa a impactar a forma como as empresas do agronegócio estruturam suas operações e planejam investimentos. Historicamente, o setor já enfrentava riscos climáticos, variações de preços e custos de produção, e agora passa a considerar um novo fator: o impacto fiscal sobre o fluxo de caixa, crédito e rentabilidade.
Aprovada no final de 2023, a reforma será implementada de forma gradual. Os testes começaram em 1º de janeiro deste ano, e até 2027, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituirá o PIS/Cofins. A troca do ICMS e do ISS pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ocorrerá entre 2029 e 2032, com a nova estrutura plenamente em vigor apenas em 2033.
Durante essa transição, a gestão tributária ganhará um peso similar ao das variáveis produtivas. A atenção dos gestores não se limitará apenas às alíquotas, mas também à forma como as operações são registradas, classificadas e documentadas ao longo da cadeia produtiva.
Essa mudança é particularmente relevante para o agronegócio devido à sua estrutura interdependente. Qualquer inconsistência fiscal em uma etapa pode comprometer os créditos tributários nas fases seguintes, elevando custos e reduzindo a margem operacional.
A Necessidade de Adaptação
Com a digitalização do novo sistema, a fiscalização se tornará mais automatizada e integrada entre os diferentes níveis de governo. O cruzamento eletrônico de dados deverá minimizar divergências interpretativas, mas, por outro lado, também incrementa a exposição a autuações imediatas em casos de erros cadastrais ou documentação incompleta. Para as empresas que lidam com grandes volumes de operações, como é comum no setor, esses bloqueios de crédito podem afetar diretamente o capital de giro e o planejamento financeiro.
Assim, a rentabilidade das empresas do agronegócio não dependerá apenas da produtividade agrícola ou do comportamento das commodities, mas também da capacidade de gerenciar créditos tributários e calcular corretamente os custos das operações. A integração entre os departamentos fiscal, contábil e operacional será crucial para a competitividade no setor, especialmente em um cenário de margens apertadas e volatilidade.
Essa adaptação ao novo modelo tributário pode influenciar decisões de investimento, estrutura societária, escolha de fornecedores e até a localização das unidades produtivas. Portanto, a capacidade de se ajustar a essas mudanças será determinante para a competitividade do agronegócio nos próximos anos.
