Repercussões e Desafios na Nutrição
Recentemente, um cirurgião-dentista de Cuiabá (MT) gerou polêmica ao direcionar ataques a nutricionistas e fazer comentários depreciativos sobre pessoas obesas e com sobrepeso. Este caso, que ganhou destaque na mídia, expõe duas questões preocupantes que se intensificam nas redes sociais: a desinformação em saúde e a banalização do desrespeito entre as profissões.
Conforme informações da imprensa local, o Conselho Regional de Odontologia de Mato Grosso (CRO-MT) anunciou a suspensão cautelar do profissional por 30 dias e a abertura de um procedimento ético, destacando que suas declarações extrapolavam limites técnicos e éticos, podendo induzir a população à desinformação.
Esse episódio, além de preocupar do ponto de vista ético, também ressalta a prática ilegal e a oferta irregular de “planos de emagrecimento”, “protocolos” e “orientações alimentares” por indivíduos sem a devida qualificação. O Conselho Federal de Nutrição (CFN), em um alerta divulgado em janeiro de 2026, enfatiza que essa prática pode ser considerada contravenção penal, conforme o art. 47 da Lei das Contravenções Penais, especialmente quando envolve atos privativos do nutricionista, como a prescrição dietética e o acompanhamento nutricional.
A Retórica das Dietas Milagrosas e Seus Riscos
O CFN ainda destaca que promessas de “dietas milagrosas” e metodologias sem respaldo científico podem ser interpretadas como charlatanismo, conforme o art. 283 do Código Penal, quando se anunciam “curas”, “tratamentos” ou métodos “secretos/exclusivos” sem comprovação científica.
No entanto, um dano menos visível, mas igualmente significativo, é a gordofobia. Comentários que vinculam a competência profissional ao peso ou à aparência das pessoas não só reforçam estigmas prejudiciais, como também afastam indivíduos do cuidado em saúde, deteriorando a relação deles com a alimentação e normalizando humilhações.
Legislação em Andamento e a Importância do Nutricionista
No Brasil, existe um debate legislativo em andamento para tipificar a discriminação por peso corporal, com propostas já em tramitação na Câmara dos Deputados. Isso mostra que o tema está sendo reconhecido como um problema social relevante, embora a discussão jurídica ainda esteja em evolução.
Diante desse cenário, é fundamental reafirmar que o nutricionista é o profissional legalmente habilitado para avaliar as necessidades individuais, interpretar sinais clínicos e contextos de vida, planejar condutas alimentares baseadas em evidências e acompanhar resultados com segurança, especialmente em situações complexas como doenças crônicas, gestação, infância, envelhecimento e transtornos alimentares.
Valorização da Nutrição e Proteção da Saúde Coletiva
Valorizar a Nutrição é uma questão de proteger a saúde coletiva. Isso implica reconhecer que a orientação alimentar não deve ser tratada como uma mera “opinião” ou “palpite”, mas sim como um compromisso ético e científico. Respeito, ética e trabalho colaborativo entre profissionais são pré-requisitos essenciais para um cuidado em saúde que seja humano, eficaz e fundamentado em ciência.
