Mudanças na Produção Pecuária Impulsionam Números
O estado de Mato Grosso se destacou novamente no setor agropecuário brasileiro em 2025, com a participação de fêmeas no abate atingindo um patamar histórico. De acordo com dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), foram registrados sete milhões 460 mil bovinos enviados para as indústrias frigoríficas. Dessa totalidade, as fêmeas somaram três milhões 610 mil cabeças, refletindo um crescimento significativo de 4,30% em comparação ao ano anterior.
Embora o número total de machos abatidos ainda seja superior, com três milhões 840 mil, o aumento no volume de fêmeas revela uma transformação crítica no comportamento produtivo dos pecuaristas. Rodrigo Silva, coordenador de Inteligência de Mercado Agropecuário do Imea, destacou que a mudança se deve a dois principais nichos de abate: as matrizes mais velhas e, de maneira significativa, um incremento no abate de fêmeas jovens, que estão atendendo tanto os mercados de cortes premium quanto os de exportação.
Cenário Atual e Impactos na Reposição do Rebanho
Os dados do Imea também indicam uma redução no descarte de matrizes, enquanto o abate de novilhas jovens continua em ascensão. Essa nova estratégia, como ressaltou Silva, se tornou uma alternativa viável para os produtores que buscam um retorno financeiro mais imediato. Em 2025, o número de bovinos abatidos com menos de 24 meses atingiu três milhões 230 mil, representando 43% do total abatido no estado, um percentual inédito na série histórica.
Essa antecipação no ciclo produtivo é impulsionada por uma oferta elevada de animais confinados e pela melhora nas margens de lucro do setor. Entretanto, essa mudança também impacta diretamente o mercado de reposição. Com uma quantidade reduzida de fêmeas disponíveis para reprodução, o preço do bezerro começou a aumentar, levando a uma estagnação no mercado de reposição.
Consequências para o Setor Pecuário
As implicações desse cenário são evidentes. O rebanho de bezerros sofreu uma retração de 2,09% em 2025, refletindo a insegurança dos pecuaristas em relação ao futuro do rebanho. Ao mesmo tempo, o preço do bezerro de 7 arrobas subiu 38,70% nesse mesmo período, gerando um desequilíbrio entre oferta e demanda que pressiona o setor de cria.
Os pecuaristas agora se deparam com uma delicada decisão: abater precocemente suas novilhas ou preservar futuras matrizes para a recomposição do rebanho. Este dilema se intensifica em um momento em que o mercado está instável, exigindo que os produtores façam escolhas estratégicas que poderão impactar a rentabilidade de suas propriedades nos próximos anos.
