A Religião como Ferramenta Política
Em sua recente viagem pelo Vale do Araguaia, o governador Mauro Mendes (União) fez uso frequente de expressões religiosas durante seus discursos, um estilo que remete ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em plena pré-campanha ao Senado, Mendes recorreu a referências divinas para exaltar sua administração, ressaltando a importância da fé em sua trajetória política.
Na última semana, enquanto percorria a região, o governador foi contundente em suas afirmações, afirmando que tanto ele quanto sua equipe foram “escolhidos por Deus” para estarem à frente do Estado. Ao criticar seus antecessores, Mendes insinuou que eles “destruíram o Estado”, insinuando que a providência divina o favoreceu ao assumir a liderança de Mato Grosso.
Com uma retórica que evoca a Bíblia, o governador destacou que sua gestão representa “sete anos de prosperidade”, uma alusão direta ao sucesso que atribui a sua administração. Essa ênfase religiosa não é novidade na política brasileira, mas sua frequência nos discursos de Mendes levanta questões sobre a separação entre religião e política.
Paralelos Políticos e Bordões Eleitorais
Enquanto isso, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que também visa uma candidatura ao governo estadual, adota um discurso similar ao afirmar que sua eleição representa “12 anos de prosperidade”. Essa estratégia de associar a fé a promessas de sucesso político parece ser uma tática comum entre políticos que buscam apoio nas bases religiosas do eleitorado.
A conexão entre fé e política, especialmente entre representantes da extrema-direita em Mato Grosso, se torna cada vez mais evidente nas redes sociais, onde deputados federais não hesitam em chamar Bolsonaro de “enviado de Deus”. Essa ideia de uma “perseguição política” alcança forte ressonância entre seus apoiadores, criando um ambiente onde a figura do político é quase idolatrada.
Com isso, a utilização do discurso religioso por figuras como Mauro Mendes e Pivetta não apenas reflete uma estratégia de marketing político, mas também aponta para uma mudança na forma como a política é percebida e praticada em Mato Grosso.
Interpretações e Críticas
Críticos dessa abordagem argumentam que a exploração do nome de Deus para fins políticos pode desvirtuar a verdadeira essência da fé, transformando-a em mero instrumento de manipulação. Para muitos, essa prática compromete a credibilidade dos líderes e gera uma polarização ainda maior na sociedade.
Além disso, ao se autoproclamar escolhido, Mendes gera um efeito que pode alienar parte do eleitorado, especialmente aqueles que valorizam a laicidade do Estado. Assim, a linha entre devoção e discurso político se torna cada vez mais tênue, criando um cenário onde a fé se mescla com interesses partidários.
Com as eleições se aproximando, é certo que a retórica religiosa continuará a ser uma ferramenta poderosa para aqueles que buscam conquistar os corações e mentes dos eleitores. Fica a pergunta: até onde essa estratégia pode levar os políticos e seus apoiadores?
