Grupo Dalto Entra em Recuperação Judicial Após Assassinato do Fundador
O Grupo Dalto, uma referência no cultivo de café em Colniza, Mato Grosso, acaba de solicitar recuperação judicial devido a uma dívida acumulada de R$ 4,5 milhões. A empresa, reconhecida como pioneira na região, enfrenta uma fase crítica após o assassinato de seu fundador, Arildo Batista Dalto, em fevereiro de 2024. O processo foi protocolado na 4ª Vara Cível de Sinop, a cerca de 501 km de Cuiabá, que confirmou o início da recuperação judicial em um despacho publicado no dia 27.
O trágico assassinato de Arildo Dalto, que tinha 52 anos, ocorreu em sua própria fazenda, onde foi executado a tiros pelo agiota Elinaldo Fontelis Costa. Investigações revelaram que o assassinato tinha ligação com uma dívida de seu filho, que havia atuado como avalista de um cheque. Esse evento se tornou um golpe severo para os negócios do Grupo Dalto, impactando diretamente sua operação e finanças.
A recuperação judicial surge em meio a um colapso econômico, exacerbado por uma combinação de fatores adversos. Entre eles, a pandemia de Covid-19, mudanças climáticas severas associadas ao fenômeno El Niño, além de incêndios florestais e uma grave seca que afetaram a produção agrícola. A elevação das taxas de juros e a queda do preço da arroba do boi também contribuíram para a crise, comprometendo a saúde financeira da empresa.
“A crise econômico-financeira é resultado de uma série de adversidades que, em conjunto, afetaram significativamente nosso desempenho. Embora tenhamos mantido nossas atividades produtivas, o falecimento de Arildo Dalto foi um fator crucial que complicou ainda mais a situação”, declarou um representante da empresa.
Com a recuperação judicial, o Grupo Dalto ganha um prazo de até 360 dias para se reestruturar, durante o qual poderá ficar “blindado” de cobranças judiciais relacionadas às dívidas apresentadas no processo. A próxima etapa será a elaboração do plano de recuperação, essencial para a recuperação da empresa e o pagamento de seus credores.
Credores do Grupo Dalto
O montante devido pelo Grupo Dalto se distribui entre diversos credores, conforme detalhado a seguir:
- Banco do Brasil S.A.: R$ 1.067.000,00
- Sicredi Univales: R$ 420.399,14
- Sicoob Credip: R$ 287.891,86
- Cristiano Nothnagil: R$ 35.837,57
- Jean Carlos Costa Pereira: R$ 22.048,02
- Estado de Mato Grosso: R$ 51.191,04
- Agro Amazônia Produtos Agropecuários S.A.: R$ 33.000,00
- Futuro Comércio de Produtos Agrícolas Ltda: R$ 159.126,50
- Rocha Materiais para Construção Ltda: R$ 7.000,00
- Itaú Unibanco S.A.: R$ 260.573,13
- Demais credores incluem diversos fornecedores e prestadores de serviço, totalizando uma lista extensa que reflete a complexidade das operações do Grupo Dalto.
Este cenário de dificuldades financeiras não é inédito entre empresas do setor agropecuário, especialmente em contextos de crise. O Grupo Dalto agora enfrenta o desafio de reverter essa situação, enquanto se prepara para apresentar seu plano de recuperação judicial, fundamental para a continuidade de suas operações e o pagamento de suas obrigações financeiras.
