Desvio de Recursos Públicos em Cuiabá
A investigação conduzida pela Polícia Civil, que resultou no afastamento do vereador Chico 2000, indica que o parlamentar teria repassado, por meio de emendas, mais de R$ 3 milhões ao Instituto Brasil Central entre 2023 e 2025. Esses recursos estavam destinados à realização de corridas de rua, mas a apuração revelou que parte do montante foi desviada para outros fins, incluindo a reforma de um imóvel pertencente ao vereador.
Esse desdobramento faz parte da Operação Gorjeta, que investiga um suposto esquema de desvio de verbas públicas ligadas à Câmara de Cuiabá e à Secretaria Municipal de Esportes. Além do afastamento do vereador, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão, além de aplicar medidas cautelares e bloquear bens relacionados ao caso.
A TV Centro América tentou contato com a defesa do vereador, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem. O g1 também busca localizar a defesa do instituto envolvido na investigação.
Recursos e Eventos Esportivos
Um levantamento realizado no Portal da Transparência aponta que, entre 2022 e 2025, Chico 2000 direcionou cerca de R$ 3,65 milhões em emendas ao Ibrace, com a intenção de promover eventos esportivos, como a Corrida do Legislativo e a Corrida do Bom Jesus de Cuiabá. Entretanto, a investigação sugere que uma parte significativa desses recursos retornou ao vereador de maneira indireta.
Mensagens trocadas entre o vereador e outros envolvidos no caso revelam uma rede de transferências financeiras, onde o Ibrace atuava como uma “entidade de passagem”, enquanto a Chiroli Esportes, de João Nery Chiroli, era a verdadeira organizadora das corridas. O proprietário da Chiroli Esportes também foi incluído na investigação por seu envolvimento no esquema.
Triangulação de Recursos
As investigações indicam que o Instituto recebia as verbas públicas e logo em seguida repassava os valores à Chiroli Esportes. Como resultado dessas transações, foi detectada uma transferência de R$ 20 mil da empresa para uma conta vinculada a um pedreiro, que estava reformando uma pousada supostamente de propriedade do vereador.
Além disso, segundo as investigações, no dia seguinte ao recebimento da quantia, ocorreu uma nova transferência de R$ 20 mil para a conta do pedreiro. A operação foi intermediada por Rubens Vuolo Júnior, chefe de gabinete de Chico 2000, que enviou um comprovante da transferência ao vereador com a legenda “na conta”. A Polícia Civil investiga se houve irregularidades nos repasses e se configuram lavagem de dinheiro e peculato.
Operação Gorjeta e Medidas Judiciais
A Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27), não apenas resultou no afastamento do vereador, mas também envolveu ações contra outros indivíduos, incluindo o servidor Alex Jones Silva e o empresário João Nery Chiroli. No total, foram autorizados 75 mandados judiciais, incluindo 12 mandados de busca e apreensão e ordens de acesso a dados em dispositivos eletrônicos.
Como resultado, a Justiça determinou o afastamento de Chico 2000 de seu cargo e a suspensão de dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá. Além disso, foi ordenado o bloqueio de R$ 676 mil em contas bancárias de várias pessoas físicas e jurídicas e o sequestro de veículos, embarcações e imóveis.
Histórico de Chico 2000
Chico 2000, cujo nome completo é Francisco Carlos Amorim Silveira, nasceu em Iúna, Espírito Santo, no dia 24 de março de 1955. Com 69 anos, ele tem um histórico de atuação na área jurídica e contábil. Recentemente, ele foi afastado da Câmara Municipal junto com o vereador Sargento Joelson, em decorrência da Operação Perfídia, que investigou pagamento de propina para a aprovação de projetos. Após um período fora, ambos conseguiram retornar ao Legislativo.
