Iniciativa que Resgata a Memória Audiovisual de Mato Grosso
Um valioso conjunto de películas em 16mm, que captura momentos cruciais da história e da vida cultural de Mato Grosso, está sendo preservado através da digitalização de parte do acervo do Cineclube Coxiponés, associado à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Essa ação faz parte do projeto “Digitalização de Acervos Audiovisuais do Cineclube Coxiponés”, que conta com recursos da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), por meio da Lei Paulo Gustavo.
No total, foram digitalizados 26 rolos de filmes em 16mm, selecionados após uma triagem técnica de aproximadamente 75 películas identificadas nos arquivos do cineclube. O material abrange produções e registros das décadas de 1950, 1960 e 1970, inicialmente gravados em formatos como 8mm, Super-8 e 16mm. As cópias escolhidas foram aquelas que apresentavam melhor conservação, passando por revisão, higienização e digitalização em um laboratório especializado.
O trabalho foi realizado em colaboração com o Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual (Lupa) da Universidade Federal Fluminense (UFF), sob a coordenação do professor Rafael de Luna Freire. A supervisão também contou com o envolvimento de pesquisadores da Faculdade de Comunicação e Artes da UFMT, como Aline Wendpap e Letícia Capanema, que são as coordenadoras do projeto.
Memórias do Passado em Formato Audiovisual
Entre os filmes digitalizados estão registros significativos, como a visita do então governador Fernando Corrêa da Costa a Vila Bela da Santíssima Trindade nos anos 1950, além do documentário “Marechal Rondon: Patrono das Comunicações”, dirigido por Amaury Valério em 1969. O acervo também inclui imagens de desfiles cívicos, casamentos, bailes de debutantes e diversos eventos sociais em Cuiabá e cidades do interior, além de dois títulos estrangeiros da série francesa “Chroniques de France”, de 1973.
As películas em 8mm e Super-8, que ainda aguardam digitalização, contêm registros de grupos culturais e artísticos como Cinco Morenos, Escola de Samba Mocidade da UFMT e Grupo Sarã, além de documentações da festa do Divino em Água Fria e de apresentações musicais, recitais e espetáculos de balé realizados na década de 1970.
As coordenadoras do projeto destacam que a prioridade na digitalização foi para os filmes em 16mm, considerando o custo e a urgência na preservação desse material. A digitalização das bitolas menores está programada para 2026, em parceria com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Preservação e Restauração do Audiovisual (INCT-PresRes), que foi aprovado pelo CNPq em 2025 e reúne 11 instituições brasileiras, incluindo a UFMT.
Ações Públicas e Acessibilidade no Projeto
Além da digitalização, o projeto promoveu ações de cunho público entre outubro e dezembro de 2025, como mostras audiovisuais no IFMT Bela Vista e no próprio Cineclube Coxiponés. Também foram organizadas oficinas que visaram o uso criativo de filmes de arquivo e a audiodescrição, resultando na adaptação de cinco obras do acervo com recursos de acessibilidade.
O catálogo dos filmes de 16mm já está disponível no site e nas redes sociais do Cineclube Coxiponés, incluindo fichas técnicas, imagens e um chamamento público para identificação de pessoas, obras e realizadores, visto que uma parte considerável dos rolos foi encontrada sem informações básicas.
Com quase cinco décadas de existência, o Cineclube Coxiponés se destaca como um dos principais espaços de difusão e preservação do cinema em Mato Grosso. A digitalização do acervo não só amplia o acesso ao público a esse material como também contribui para a preservação da memória audiovisual do estado.
