Estabilidade do Açúcar e Valorização do Etanol
No Brasil, o mercado físico de açúcar cristal apresentou uma estabilidade notável na terceira semana de janeiro, com o preço da saca de 50 quilos fixado em R$ 101. Essa estabilidade se seguiu a uma leve oscilação para R$ 100, mas, segundo o consultor Mauricio Muruci da Safras & Mercado, a tendência de baixa volatilidade reflete um enfraquecimento na demanda pelas indústrias.
As usinas consumidoras, em geral, costumam ser cautelosas em novas aquisições durante a entressafra da cana, o que resulta em menos movimentação no mercado físico. “As compras ficam congeladas, o que é típico nesse período”, observa Muruci. Além disso, a oferta de açúcar de coloração mais intensa, que possui menor valor agregado, também contribui para a pressão sobre os preços, resultando em variações limitadas ao longo da semana.
Cotações Internacionais Sob Influência Cambial
Em uma perspectiva internacional, o açúcar bruto na Bolsa de Nova York (ICE) teve uma leve valorização, passando de 14,72 para 14,96 centavos de dólar por libra-peso. Essa alta foi impulsionada pela valorização do real frente ao dólar, que encerrou a semana abaixo de R$ 5,30. Segundo Muruci, a força do real impacta a rentabilidade das exportações brasileiras, levando as usinas a restringirem suas vendas para o exterior. “A diminuição da oferta de açúcar brasileiro no mercado internacional ajudou a estabilizar os preços nos EUA”, ressalta o analista.
Mercado de Etanol em Alta
Enquanto o açúcar mantém seus preços estáveis, o etanol hidratado sofreu uma valorização significativa, impulsionada pela demanda robusta das distribuidoras. Em Ribeirão Preto (SP), o preço do litro do biocombustível subiu de R$ 3,73 para R$ 3,78 durante a semana. Essa elevação reflete a necessidade de reabastecimento dos estoques que foram esvaziados durante os feriados de fim de ano, além de uma oferta restrita por parte das usinas, que enfrentam a entressafra da cana-de-açúcar.
Após um ano de intensa comercialização, as usinas se deparam com estoques reduzidos. “A junção entre a escassez de oferta e a demanda aquecida nas bombas tem sustentado a valorização do etanol”, destaca Muruci, explicando que essa dinâmica é crucial para a manutenção dos preços em alta.
