Expedição Percorre o Sudeste do Mato Grosso
O Rally da Safra dá início a uma nova etapa de avaliações no sudeste do Mato Grosso, com foco nas lavouras de soja. Os profissionais começaram os trabalhos na região de Sinop, na segunda-feira, dia 19, e seguem agora para Campo Verde, Paranatinga, Primavera do Leste e Rondonópolis, com a previsão de finalizar o percurso em Cuiabá no dia 26. Desde o dia 6 de janeiro, as equipes têm estado em campo, realizando análises também no oeste do Paraná, ao longo da BR 163 no Mato Grosso e na região oeste mato-grossense.
“As avaliações em campo são fundamentais para aprofundar as análises, validar e ajustar as estimativas de safra pré-Rally. Esse trabalho nos permite observar diretamente o desenvolvimento das lavouras, registrar as variações regionais, avaliar os impactos do manejo e, mais importante, monitorar a influência climática a partir de agora. Com isso, conseguimos captar cada mudança com precisão e transformar esses dados em informações relevantes e confiáveis para o setor”, comenta André Debastiani, coordenador da expedição.
Rally da Safra: Percurso e Expectativas de Produção
As equipes do Rally da Safra planejam percorrer mais de 100 mil km, abrangendo 14 estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia e Pará. As áreas visitadas são responsáveis por 97% da produção de soja e 72% da área de milho no país.
A expectativa pré-Rally da Agroconsult, organizadora da maior expedição técnica privada do Brasil, aponta para uma produção histórica de soja para a safra 2025/26, estimando 182,2 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 5,9% em relação à safra anterior. A produtividade média esperada é de 62,3 sacas por hectare, em comparação com 60,0 sacas na temporada passada. Para Mato Grosso, a produtividade deve chegar a 65 sacas por hectare, segundo as projeções, ligeiramente abaixo das 66,5 sacas da safra anterior, mesmo com o atraso inicial no plantio devido à seca e indícios iniciais de atraso na colheita.
Expansão da Área Plantada em Cenário Desafiador
O total da área plantada no Brasil deve alcançar 48,8 milhões de hectares, com um crescimento próximo de 1 milhão de hectares. Embora a expansão seja menor do que a média dos últimos dez anos — em que o crescimento anual foi em torno de 1,7 milhão de hectares —, a ampliação da área cultivada continua, mesmo em um cenário econômico desafiador.
André Debastiani, sócio-diretor da Agroconsult e coordenador geral do Rally da Safra, enfatiza que esse crescimento é impulsionado por diversos fatores, como investimentos de grupos agrícolas com uma visão de longo prazo, a valorização das terras, especialmente em regiões onde pastagens estão sendo convertidas para a agricultura, e a presença de produtores financeiramente sólidos, que aproveitam este momento para ampliar suas operações.
Comparações Históricas e Contexto Atual
O cenário atual da safra de soja 2025/26 se destaca em comparação com as safras anteriores, onde já se percebia a preocupação com quebras produtivas logo no início do Rally. Nos anos recentes, como em 2022/23, o Rio Grande do Sul enfrentou problemas severos, enquanto em 2023/24 e 2024/25, Mato Grosso e novamente o Rio Grande do Sul apresentaram perdas significativas devido a climas adversos. No entanto, a atual safra demonstra um potencial produtivo que permanece dentro da média dos últimos cinco anos, sem expectativas de recordes, mas também longe de alertas de perdas expressivas, configurando um cenário de equilíbrio.
A expansão da área cultivada na maior parte das regiões produtoras é significativa. Debastiani explica que, apesar das expectativas iniciais de que o ambiente econômico poderia pressionar os investimentos no campo, o que se observa é o oposto. “Os produtores têm mantido um bom nível de adubação, sem crescimento expressivo, e continuam investindo em tecnologia. Exceto no Rio Grande do Sul, onde há uma redução no uso de tecnologia, os demais estados mantêm um padrão sólido de investimento, visando altas produtividades. Esse conjunto de fatores positivos para esta safra inclui a expansão da área cultivada e a manutenção da tecnologia, essencial para garantir o potencial produtivo”, conclui.
