Operação Sem Livramento em Mato Grosso
A Polícia Civil de Mato Grosso deu início, nesta quinta-feira, 22, à operação Sem Livramento, com o intuito de desmantelar uma organização criminosa apontada como responsável por diversos roubos em propriedades rurais, além de casos de cárcere privado, extorsão e lavagem de dinheiro.
No total, foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão direcionados a 15 suspeitos em endereços localizados nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Barra do Garças. Durante a operação, os agentes apreenderam R$ 87 mil e tiveram acesso a dados sigilosos dos investigados, o que deve auxiliar nas investigações em andamento.
O nome da operação, “Sem Livramento”, faz alusão ao município onde um crime significativo ocorreu, motivando as investigações e a resposta robusta da Polícia Civil. Essa ação também se alinha ao programa Tolerância Zero do Governo de Mato Grosso, que visa combater facções criminosas em todo o estado.
De acordo com informações oficiais, entre 2023 e 2025, as ações do programa resultaram na prevenção de 62 tentativas de ocupação ilegal em propriedades rurais, refletindo uma redução acumulada de aproximadamente 52% nesse período. Além disso, 356 pessoas foram levadas a delegacias e 34 armas de fogo, além de 39 armas brancas, foram apreendidas.
Roubo e o início das investigações
As investigações tiveram início em novembro de 2024, após um roubo realizado em uma fazenda no município de Nossa Senhora do Livramento, onde uma família inteira foi feita refém. Os criminosos mantiveram tanto adultos quanto crianças em cárcere privado por várias horas, amarrando as vítimas enquanto realizavam o assalto.
Durante esse ataque, algumas vítimas relataram que foram agredidas fisicamente e forçadas a fazer transferências bancárias por meio do Pix. A Polícia Civil afirmou que as investigações revelaram que o crime não foi um ato isolado, mas parte de uma rede organizada, com planejamento, divisão de funções e uma estrutura de escoamento dos bens subtraídos.
O delegado Maurício Maciel Pereira Junior, que comanda as investigações, destacou que o avanço das apurações possibilitou a identificação de outros membros do grupo e o mapeamento da atuação da organização criminosa, que tinha como alvo principalmente propriedades rurais. Foi ainda possível localizar empresas que seriam utilizadas para disfarçar patrimônio e lavagem de dinheiro, ampliando o escopo das investigações.
