Uma nova era de oportunidades culturais para coletivos de Mato Grosso
No cenário cultural de Mato Grosso, uma recente conquista promete transformar a dinâmica regional. O Instituto INCA-Inclusão, Cidadania e Ação agora é oficialmente reconhecido como um Pontão de Cultura, com a abertura de inscrições gratuitas direcionadas a comunidades interessadas em um projeto inovador. Esse projeto visa capacitar os participantes nas áreas de Gestão Cultural, Economia Criativa, Regularização Institucional e Comunicação em Rede, abrangendo municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Acorizal, Nossa Senhora do Livramento, Santo Antônio do Leverger, Barão de Melgaço e Poconé. A iniciativa pretende mapear 20 associações locais, oferecendo formação e visibilidade a coletivos culturais, com o objetivo de apoiar o protagonismo regional e promover a circulação de saberes no Vale do Rio Cuiabá. Além disso, um Fórum e eventos itinerantes estão programados nessas cidades, criando um calendário de atividades culturais diversificadas.
A história do Instituto INCA nesse contexto é rica. A presidente Cybele Bussiki, que possui um extenso histórico como bailarina, já havia realizado estudos sobre a cultura local. Sua trajetória se entrelaça com a antiga Setas, hoje Setasc-MT – Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania, onde desenvolveu pesquisas voltadas ao fortalecimento do Grupo Flor Ribeirinha. Em meio a isso, a promulgação da Lei da Cultura Viva (Lei nº 13.018/2014) consolidou o papel do Instituto INCA como um dos pioneiros na implementação de políticas culturais no estado.
Movimento e Protagonismo Cultural
Desde 2009, o INCA desenvolve o projeto Ponto de Cultura, com foco na formação de agentes culturais. Inicialmente, as atividades eram realizadas na União Coxipoense de Associação de Moradores (UCAM), na região Sul de Cuiabá, onde ocorreram cursos de Musicalização e oficinas de instrumentos feitos a partir de materiais recicláveis. O Cine Clube INCA também fez parte desse projeto até 2016. Em 2022, com apoio de emendas parlamentares, o Instituto diversificou suas atividades, incluindo consultorias virtuais de Educação Financeira e Comunicação em Redes Sociais, beneficiando quatro Quintais da Cultura Popular Cuiabana: Flor do Campo, Coração Tradição Franciscano, Flor Serrana e Voa Tuiuiú. Cybele Bussiki ainda atuou como mentora em Educação e Renda, proporcionando orientações específicas ao grupo Flor do Campo com o intuito de fortalecer suas ações e melhorar a realidade social das participantes.
Em fevereiro de 2023, o INCA iniciou a segunda etapa do projeto, com a consultoria técnica de Éraldi Peterson, especialista do Studio Arandela. Durante esse período, os grupos debateram suas dificuldades e se engajaram em vivências de aprendizado, através de consultorias em Dança, Redes Sociais, Música, Figurino e Direção e Roteiro, em um processo que durou quatro meses.
Impacto e Expansão Cultural
Em 2025, o projeto Ponto de Cultura INCA em Rede possibilitou que grupos de siriri e cururu como Siriri Elétrico, Raízes Cuiabanas, São Gonçalo Beira Rio, Flor Serrana e Flor do Campo se unissem ao Instituto em uma ampla imersão de conhecimento. Essa fase incluiu consultorias e capacitações em áreas como Figurino, Cenografia, Coreografia, Maquiagem, Dança Afro, Percussão, Gestão de Mídias Sociais, Organização de Eventos e Produção. O resultado? Apresentações artísticas mais sofisticadas e profissionais, além da criação da “1ª Orquestra de Sucata” em parceria com a Startup Social Anjos da Lata.
Durante a pandemia de Covid-19, entre 2021 e 2022, o Instituto também desenvolveu o projeto “Quintais da Cultura Popular Cuiabana”, em colaboração com a Universidade Federal de Mato Grosso, que mapeou 10 quintais da cidade ao longo de oito meses. Esse trabalho resultou em um vídeo, um inventário e um e-book, além de garantir um prêmio do IPHAN pelo projeto no 35º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade.
O que é o Pontão de Cultura
A criação do Pontão de Cultura representa uma ampliação significativa na atuação do Ponto de Cultura, agindo como um núcleo que valoriza e divulga saberes e expressões artísticas. Isso vai além do suporte a uma comunidade específica, pois busca conectar diversos Pontos de Cultura e coletivos, oferecendo formação, apoio técnico e promovendo redes de cooperação que ampliam o impacto cultural na região.
“Desejamos executar o projeto com grupos mais vulneráveis e gerar um impacto positivo. Trata-se de um projeto ambicioso que promete muitas novidades nos próximos oito meses”, destaca Poliana Queiroz, coordenadora da iniciativa.
Como Participar
Não é preciso ter CNPJ para se inscrever, permitindo que grupos culturais, associações, coletivos artísticos, movimentos populares, povos tradicionais e comunidades urbanas ou rurais possam participar. Isso inclui, inclusive, grupos quilombolas e indígenas. Os interessados devem comprovar atuação cultural no município, apresentar uma proposta de atividade e, preferencialmente, envolver a comunidade local em suas ações.
Benefícios do Projeto
Os participantes terão acesso a diversas oportunidades, como oficinas formativas, encontros de intercâmbio, um festival cultural itinerante, fórum sobre políticas culturais e uma biblioteca digital colaborativa. Todas as atividades são gratuitas, pensadas para fomentar a criatividade, a inclusão e a valorização das identidades regionais.
Como se Inscrever
Para participar, é fácil: basta acessar o site do Instituto INCA em www.institutoinca.com.br ou o Instagram @institutoincamt e preencher o formulário online disponibilizado no link – https://forms.gle/FD9xHhx8QsAkx7Ac9.
