Impulsionando o Setor do Tabaco com Acordos Comerciais
O recente acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) abre novas perspectivas para o agronegócio sul-americano, especialmente para o setor do tabaco brasileiro, que já destina mais de 30% de suas exportações anuais à Europa. Com a redução programada das tarifas de importação, o Brasil poderá adquirir uma competitividade significativa frente aos países africanos, que atualmente usufruem de isenções no acesso ao mercado europeu.
Valmor Thesing, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), destaca que o acordo possui potencial para corrigir as distorções competitivas que têm prejudicado o produto brasileiro. “Os principais concorrentes — como Maláui, Tanzânia e Zimbábue — já gozam de isenção tarifária para exportação de tabaco para a Europa. A redução progressiva das alíquotas permitirá que o Brasil retorne à disputa em condições mais justas”, afirma Thesing.
O Mercado Europeu e as Exportações Brasileiras
Dados do ComexStat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revelam que a União Europeia importou US$ 1,12 bilhão em tabaco brasileiro em 2025, totalizando quase 204 mil toneladas. Esses números reafirmam a importância do bloco europeu como um destino estratégico e consolidam o Brasil como um fornecedor confiável e de alta qualidade, devido ao Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), que assegura padrões de rastreabilidade e sustentabilidade.
A expectativa é que a desgravação tarifária traga benefícios a médio prazo, embora Thesing ressalte que os efeitos do acordo não serão imediatos. A redução das tarifas ocorrerá gradualmente ao longo dos próximos anos, com as tarifas do tabaco manufaturado sendo totalmente eliminadas em quatro anos, enquanto o tabaco não manufaturado terá um período de sete anos até alcançar a isenção total.
Desafios Políticos e Expectativas para o Futuro
Antes de ser implementado, o acordo deve ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congresos dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Contudo, há um desafio adicional: alguns países da Europa, como a França, demandam ajustes para proteger seus produtores locais, o que pode retardar a efetivação do tratado.
Apesar dessas barreiras, o setor vê o acordo como uma estratégia vital para fortalecer a cadeia produtiva do tabaco no Brasil, ampliando o acesso a um dos mercados mais exigentes do planeta. “Estamos otimistas de que o tratado traga ganhos reais de competitividade e novas oportunidades de negócios a longo prazo”, conclui Thesing.
