Produção de Arroz no Brasil: Expectativas para a Safra 2025/26
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou um boletim na quinta-feira (15) informando que os produtores de arroz em todo o Brasil planejam uma redução na produção para a safra 2025/26. Essa queda é expressiva, com uma previsão de diminuição de 13,3% na produção nacional, que passará de 12,7 milhões de toneladas para 11 milhões de toneladas.
O Rio Grande do Sul, maior produtor de arroz do Brasil, enfrentará uma redução de 12,2%, diminuindo sua produção de 8,7 milhões de toneladas para 7,6 milhões de toneladas. Santa Catarina, que ocupa a segunda posição no ranking nacional, terá uma diminuição de 4,5%, com uma produção estimada em 1,2 milhão de toneladas. Por sua vez, o Tocantins, terceiro maior produtor, verá uma queda drástica de 23,5%, prevendo produzir 629,4 mil toneladas na próxima safra.
Mato Grosso: Queda Acentuada e Mudanças no Plantio
Mato Grosso, que ocupa a quarta posição na produção de arroz no Brasil, enfrentará uma significativa redução de 36% em sua safra. Na temporada 2024/25, os rizicultores mato-grossenses colheram 531 mil toneladas, mas para 2025/26, a previsão é de apenas 344 mil toneladas. Essa diminuição se deve, em grande parte, à redução da área plantada, que despencou de 146,7 mil hectares para 95,6 mil hectares, representando uma diminuição de 35%.
Apesar da queda nas previsões de produção, a Conab informa que o plantio está avançando. Atualmente, 90% da área destinada ao arroz no Brasil já foi semeada. Em Santa Catarina, o plantio foi concluído, enquanto no Rio Grande do Sul este processo também se aproxima do fim. Em Mato Grosso, a semeadura está na fase final, beneficiada por condições climáticas favoráveis ao arroz de sequeiro.
Impacto nos Preços: Entre Benefícios e Desafios
A Conab ressalta que a redução na produção está intimamente ligada aos preços pouco atrativos para os produtores. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revelam que, em 2024, o preço da saca de 50 quilos de arroz era aproximadamente R$ 120. Atualmente, esse valor caiu para cerca de R$ 53, um impressionante declínio de 55%.
Embora a Conab tenha alertado sobre a possibilidade de uma queda maior na produção do que a prevista, o cenário de preços para os consumidores continua a ser positivo. O Brasil inicia a safra com estoques de 2,4 milhões de toneladas, somando-se à produção estimada de 11 milhões de toneladas e às importações de 1,4 milhão de toneladas. As exportações estão projetadas em 2,1 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno deve atingir 10,8 milhões de toneladas, resultando em um estoque final de 2 milhões de toneladas.
A expectativa da Conab é que, para a safra 2025/26, a manutenção de preços atrativos para o consumidor no varejo leve a uma leve expansão na demanda nacional. Em Cuiabá, por exemplo, um pacote de arroz de 5 quilos foi encontrado à venda por até R$ 43 em 2024, mas atualmente é possível encontrá-lo nas prateleiras dos supermercados por um valor médio de R$ 20, especialmente o arroz tipo 1.
