Uma Celebração da Tradição Cultural de Bocaina
O documentário “Bocaina Terra de Fé e Raízes” será exibido pela primeira vez na comunidade de Bocaina, situada no distrito de Santo Antônio de Leverger, Mato Grosso, na próxima terça-feira, dia 20. Além dessa exibição, uma sessão adicional está agendada para o dia 3 de fevereiro no Cine Teatro Cuiabá. Este curta-metragem é um registro fiel da tradicional Festa de São Sebastião, que ocorre há cerca de um século, narrando as memórias, contos e músicas que foram preservados pelas gerações mais antigas da localidade.
A produção teve início em 25 de janeiro do ano passado, marcando o começo das festividades que duraram três dias. O filme, de modo sensível, captura a essência da festa através das histórias contadas pelos idosos da comunidade, enfatizando elementos como fé, coletividade e religiosidade, fundamentais para a construção da identidade local.
Apoios e Colaborações Importantes
Este projeto conta com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo. As exibições incluirão recursos de acessibilidade para garantir que todos possam apreciar a obra.
Thamara Luiza, a idealizadora do documentário, assina o roteiro e a direção de produção, além de estrear como co-diretora geral. Ao dividir a direção com Juliana Segóvia, que também é responsável pela direção de fotografia, Thamara expressa sua gratidão: “É a primeira vez que assino um projeto como proponente, responsável, pesquisadora e diretora. Juliana é uma diretora admirável, com um olhar técnico, sensível e assertivo que eu desejava para contar esta história”, comenta Thamara. “Essa narrativa é parte da minha vida, da minha família e da minha comunidade.”
Personagens que Contam a História
No documentário, diversas figuras que contribuem para a realização da festa ganham destaque. Entre elas, Dona Diva, uma das líderes da cozinha; Oreste Castelo, capelão que detalha a simbologia do mastro e as rezas; Maria do Carmo, presidente da Associação dos Devotos de São Sebastião (ADESSCOB); Ana Rosa, responsável pela liturgia; e Creonice, conhecida como a “primeira-dama” da comunidade e intérprete do Hino de São Sebastião.
Thamara menciona que o processo de produção foi repleto de envolvimento comunitário. “Foi um processo que materializa um desejo e um sonho coletivo. Estar em set, interagir com os entrevistados e ver a equipe unida foi uma experiência muito intensa. Cada um estava completamente comprometido”, destaca.
Ela ressalta ainda a importância da pós-produção, enfatizando o papel vital da equipe técnica, especialmente Pedro Brites, que supervisionou o processo de montagem e finalização; e os músicos Augusto Krebs e Igor Carvalho, responsáveis pela trilha sonora original.
Uma Memória Coletiva e a Importância do Registro
Juliana Segóvia, co-diretora, enfatiza que a relevância do documentário reside na preservação da memória como uma forma de resistência. Com mais de um século de história, a Festa de São Sebastião é um elemento essencial que mantém a comunidade unida, criando laços que transcendem a família de Thamara, englobando toda a Bocaina em torno de uma herança cultural.
“Todo o processo para que a festa aconteça, desde a procissão até o levantar do mastro, envolve técnicas e uma elaboração de conhecimentos que são exclusivos de cada celebração, refletindo a rica diversidade cultural do Brasil. Sinto-me honrada em participar deste projeto ao lado de Thamara”, declara Juliana.
Ela também destaca que o documentário foi produzido com uma abordagem respeitosa, atenta à representação e dinâmica da comunidade, evidenciando o protagonismo das mulheres negras que desempenham papéis centrais na realização da festa.
“Essas mulheres são as verdadeiras protagonistas da festa. Estou feliz por podermos apresentar esse projeto, que, mesmo sendo um recorte, mostra parte do que somos como povo mato-grossense, um território rico que precisa ser valorizado”, conclui.
Futuro do Documentário e Suas Exibições
Após as exibições em Bocaina e no Cine Teatro Cuiabá, a intenção é levar o curta para diferentes regiões do Brasil. “Mesmo sendo uma festividade local, acredito que muitos poderão se identificar com os elementos retratados: as cores, as bandeirolas e a fé”, afirma Thamara, enfatizando a universalidade das experiências humanas que o documentário busca transmitir.
