Reconhecimento e Preservação Cultural em Cachoeira
Na tarde de sexta-feira, 16 de outubro de 2023, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, para cumprir agendas institucionais que celebram a preservação do patrimônio cultural baiano. O evento, de grande importância simbólica e histórica, focou em dois marcos significativos: a entrega da placa de reconhecimento do Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê como Patrimônio Cultural do Brasil e a assinatura da ordem de serviço para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios.
Cachoeira, conhecida como Cidade Heroica, ocupa um lugar central na história da luta pela Independência do Brasil. A cidade abriga um dos mais relevantes conjuntos históricos do país, além de manifestações culturais que refletem suas raízes africanas e sua religiosidade popular.
A primeira parte da programação aconteceu no Terreiro Ilê Axé Icimimó Aganjú Didê, um espaço sagrado com quase 100 anos de existência, situado na Terra Vermelha. O terreiro foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em fevereiro de 2024 e inscrito no Livro do Tombo Histórico, Etnográfico e Paisagístico, em reconhecimento à sua relevância histórica, cultural e ambiental.
Um Olhar de Justiça e Reparação
Durante a cerimônia de entrega da placa, Margareth Menezes enfatizou a importância do reconhecimento como um ato de justiça. “Este momento simboliza uma mudança de paradigma nas políticas de preservação do patrimônio brasileiro”, afirmou a ministra. Segundo ela, esse reconhecimento não só valoriza o terreiro, mas também propõe uma reflexão sobre a representatividade no tombamento de patrimônios no Brasil, que frequentemente privilegia igrejas e monumentos históricos em detrimento de espaços como os terreiros e as casas de matriz africana.
A ministra também sublinhou o papel do Estado na defesa dos direitos culturais e na luta contra o racismo estrutural. “Estamos aqui para assegurar que todas as religiões sejam respeitadas e tratadas com dignidade. Este reconhecimento fortalece a comunidade de Cachoeira e todo o Recôncavo baiano, promovendo um país mais democrático”, declarou.
O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Fabrício Oliveira Guanais, complementou que o tombamento do terreiro representa um compromisso do Estado com a proteção das práticas culturais da região. “Não se trata apenas de um título simbólico. O tombamento garante a salvaguarda das celebrações e rituais que ali ocorrem, ressaltando a interligação entre as dimensões material e imaterial do patrimônio cultural”, explicou.
Cultura e Respeito à Diversidade
A prefeita de Cachoeira, Eliana Gonzaga, ressaltou a importância histórica do reconhecimento e a necessidade de respeito entre diferentes crenças. “É uma honra participar desse momento tão aguardado. Como evangélica, compartilho este momento de forma respeitosa, pois Deus é um só e a maior religião é o amor”, afirmou, destacando a relevância do evento para a cidade e o estado.
Pai Duda de Candola, responsável pelo terreiro, recordou os desafios enfrentados pela comunidade ao longo dos anos e afirmou que o tombamento traz não apenas reconhecimento, mas também paz. “A luta não foi apenas pelo terreiro, mas pela preservação da cultura africana que os terreiros sustentam”, disse.
O compromisso com a segurança da comunidade também foi enfatizado pelo major Vitor Maciel, da Polícia Militar, que reafirmou a disposição da corporação em proteger os direitos culturais e religiosos dos cidadãos.
Obras Emergenciais e Preservação do Patrimônio Religioso
Na sequência das atividades, a ministra assinou a ordem de serviço que libera recursos para obras emergenciais na Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, que receberá R$ 775,9 mil para restaurar seu estado deteriorado. O templo, tombado pelo Iphan desde 1971, necessitava de reparos urgentes, incluindo descupinização, substituição do telhado e estabilização estrutural.
Margareth Menezes destacou a importância do patrimônio religioso para a identidade nacional. “Cachoeira e Bahia são muito mais do que arquitetura; representam a memória viva da história do Brasil. Investir em cultura é investir em dignidade e cidadania”, concluiu a ministra.
A prefeita Eliana Gonzaga também enfatizou a importância das políticas culturais. “Fortalecer a cultura é preservar a nossa história. Cachoeira tem sido beneficiada porque há compromisso com o povo”, finalizou.
Naiara Jambeiro, guardiã da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, expressou sua alegria pela assinatura das obras. “Este é o início da realização de um sonho coletivo que temos alimentado por anos”, concluiu, reforçando a importância do patrimônio para a comunidade.
O superintendente do Iphan, Hermano Guanais, finalizou afirmando que a proteção do patrimônio cultural é uma responsabilidade compartilhada entre a comunidade e o Estado. “Igreja preservada é igreja viva, com memória e celebrações”, concluiu.
