Os Efeitos do Acordo no Setor Suinícola
Após mais de 25 anos de negociações, o tão aguardado acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul está prestes a ser oficializado, trazendo promissora perspectiva para a suinocultura brasileira. Entretanto, é importante ressaltar que a avaliação do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indica que o impacto direto nas exportações nacionais deve ser limitado no curto prazo.
O Cepea aponta que a razão principal para essa expectativa está atrelada ao tamanho da cota negociada. Se aprovado, o acordo permitirá a exportação de 25 mil toneladas de carne suína, tanto in natura quanto industrializada, para o mercado europeu. Essa cota, que seria inédita, virá acompanhada de uma tarifa reduzida de 83 euros por tonelada, que é inferior às taxas atualmente em vigor do regime europeu.
No entanto, essa quantidade é considerada pequena se comparada ao volume total de carne suína que o Brasil exporta. Para além do limite da cota, as tarifas padrão da União Europeia continuarão a ser aplicadas, podendo chegar a valores bastante altos. Na prática, isso pode inviabilizar a exportação de produtos com maior valor agregado, como presuntos e cortes defumados ou secos, que são menos competitivos sob essas condições.
Assim, o Cepea acredita que a União Europeia não deve se firmar, em um primeiro momento, como um destino significativo para a carne suína brasileira. Contudo, a importância estratégica desse acordo para diversificar os mercados atendidos pelo Brasil é inegável. A abertura, mesmo que parcial, fortalece a presença do país no comércio internacional, reduzindo a dependência de um número restrito de compradores.
A Importância do Agro Brasileiro
O tratado também prevê uma redução gradual ou eliminação de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, além da harmonização de normas sanitárias e regulatórias. Para o agronegócio brasileiro, essa iniciativa promete aumentar a competitividade de cadeias produtivas fundamentais, incluindo carnes, grãos, açúcar, etanol, café e suco de laranja. Contudo, tal avanço também exige maior rastreabilidade e conformidade ambiental, além de uma maior transparência nos processos produtivos.
Um aspecto que merece destaque é a resistência enfrentada pelo acordo, especialmente por parte de agricultores europeus. Setores agrícolas da Europa, particularmente na França, têm se manifestado fortemente contra o tratado. Esses produtores argumentam que a entrada de produtos do Mercosul pode resultar em uma concorrência desleal, devido a disparidades nos custos de produção e nos padrões ambientais.
O presidente francês, Emmanuel Macron, deixou claro seu posicionamento contrário, afirmando que os benefícios econômicos do acordo seriam limitados para a economia europeia. Outros países, como Irlanda, Hungria e Polônia, também levantaram bandeira contra o texto, preocupados com os riscos que o acordo poderia trazer para o setor agropecuário local.
Apoio Decisivo da Itália
A virada crucial para o andamento do acordo aconteceu quando a Itália manifestou apoio, contanto que fossem incluídas salvaguardas para os agricultores italianos e que fossem ampliados os recursos financeiros para o setor. A Comissão Europeia anunciou a intenção de acelerar a liberação de até 45 bilhões de euros em apoio à agricultura, algo que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, classificou como um passo importante.
Em resumo, embora o acordo tenha implicações significativas para a suinocultura e o agronegócio brasileiro como um todo, os desafios e as resistências ainda precisam ser superados. O equilíbrio entre os interesses do Brasil e os das nações europeias será fundamental para o sucesso dessa parceria no futuro.
