Postura do Governador em Xeque
O deputado estadual Júlio Campos, do União, manifestou preocupação com a postura do governador Mauro Mendes, também do União, em relação ao pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) aos servidores públicos. Para Campos, a recusa do governador em discutir a regularização do passivo acumulado pode trazer sérias consequências eleitorais, especialmente com Mendes se preparando para disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições.
“É uma atitude arriscada. Um ex-governador de Mato Grosso costumava dizer que o funcionário público não elege ninguém, mas pode derrotar aqueles que ele quer. Portanto, isso é perigoso. Estamos falando de mais de 100 mil servidores públicos, ativos e inativos, que representam uma base de eleitores entre 400 a 500 mil pessoas. São pais, mães, filhos e irmãos que podem, sim, ter um impacto nas urnas”, alertou o deputado.
Oportunidade de Conciliação
Campos sugeriu que o governo poderia adotar uma abordagem mais conciliadora, especialmente considerando a atual situação econômica do estado. “Se eu fosse governador, diante da realidade financeira de Mato Grosso, não teria dificuldade em negociar o parcelamento da RGA atrasada. Isso me garantiria uma saída aplaudida pela população”, afirmou.
Apesar de reconhecer os avanços da administração atual, Júlio Campos afirmou que a relação entre o governo e os servidores permanece delicada. “É inegável que o governo fez um bom trabalho em termos de realizações, com diversas obras em Mato Grosso, mas o relacionamento com os servidores precisa de atenção”, destacou.
Proposta de RGA e Reivindicações dos Servidores
O governo do estado pretende enviar à Assembleia Legislativa um projeto de lei que prevê a concessão de uma RGA de 4,26% para os servidores, um índice que considera a inflação medida pelo IPCA. O impacto financeiro desta proposta sobre os cofres públicos é estimado em mais de R$ 1 bilhão, com um custo mensal de cerca de R$ 80 milhões na folha de pagamento de todos os poderes.
Contudo, sindicatos e entidades representativas têm solicitado a abertura de negociações para a quitação do passivo acumulado de aproximadamente 19% referente às RGAs que não foram concedidas nos últimos anos. Dados do Dieese indicam que, entre 2017 e 2025, a inflação acumulada ultrapassou 57%, enquanto os aumentos salariais no mesmo período não chegaram a 32%. Isso evidencia uma discrepância significativa entre a perda do poder de compra dos servidores e os reajustes oferecidos.
