O Cenário Político do Rio de Janeiro
Com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto, a direita no Rio de Janeiro começa a afunilar suas opções para o comando do estado. O cenário político está em ebulição, especialmente após os recentes desdobramentos que envolvem figuras proeminentes, como o ex-ministro da Justiça, que recebeu críticas da direita, e outros líderes que se movimentam em busca de melhores posições nas eleições que se aproximam.
O nome mais forte apontado por Flávio Bolsonaro para a corrida ao governo é o do chefe da Polícia Civil, Felipe Curi. Contudo, o que se observa nas últimas semanas é um apoio crescente ao secretário estadual de Cidades, Douglas Ruas (PL), que está licenciado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Com apenas 36 anos, Ruas, que é filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), tem se destacado por comandar uma pasta com ampla capilaridade no estado.
No entanto, pessoas próximas a Ruas alertam que o deputado pode ter muito a perder se decidir entrar nessa disputa, especialmente considerando o favoritismo do atual prefeito Eduardo Paes (PSD). Além disso, Ruas almeja a presidência da Alerj para o próximo biênio, e qualquer movimento em direção à candidatura ao governo poderia custar-lhe um novo mandato.
Opções e Desafios
Embora outras alternativas, como Curi ou um candidato outsider, estivessem dispostas a entrar na corrida, essas opções não mobilizam o apoio do Centrão, que possui um papel crucial no estado. A falta de apoio de partidos com forte capilaridade poderia dificultar a missão de qualquer candidato, especialmente no embate com Paes.
Enquanto isso, o governador Castro planeja uma candidatura ao Senado, o que o obrigará a se desincompatibilizar do cargo no início de abril, conforme estipulado pela Justiça. Assim, a atenção do grupo governista também se volta para a escolha indireta que ocorrerá na Alerj, visando selecionar quem assumirá o estado, mesmo que temporariamente, até o fim do ano. Isso se faz necessário, uma vez que o vice-governador eleito em 2022, Thiago Pampolha, foi nomeado para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Entre os nomes cotados para essa eleição indireta, o secretário de Casa Civil, Nicola Miccione, se destaca como o candidato mais avançado. Com uma carreira no Banco do Nordeste, ele não possui experiência eleitoral, mas é visto como um quadro técnico ideal para encarar um mandato curto e desafiador. O estado enfrenta um déficit orçamentário estimado em R$ 19 bilhões até 2026, o que exige cortes drásticos e a implementação de políticas que podem não ser populares.
Pressões e Oportunidades na Direita
Esse rearranjo entre a direita e o Centrão é reflexo da insatisfação de alguns dirigentes com a gestão de Paes, muito fundamentada na percepção de que ele tem se mostrado relutante em ceder espaços importantes na administração para outros grupos políticos. Existe, também, uma tensão em relação às exigências de garantias que as siglas estão fazendo antes da hora, levando a especulações de que essas novas articulações visam pressionar o prefeito a abrir espaço na chapa e no eventual governo.
O setor da Saúde, um tradicional reduto do PP, é uma das áreas que mais gera disputas. No entanto, Paes é visto como alguém que dificilmente abrirá mão de manter a liderança nessa pasta com alguém de sua confiança. O mesmo se aplica às áreas da Educação e Segurança Pública, que enfrentam os maiores desafios no estado. Aliados do prefeito argumentam que não faz sentido vencer as eleições mantendo a estrutura do governo praticamente inalterada.
Possibilidades para a Chapa
O nome considerado o vice ideal para a chapa, tanto do ponto de vista de Paes quanto do grupo da direita, é o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, do PP. Recentemente, o nome de Lisboa foi sugerido como potencial companheiro de candidatura de Douglas Ruas, embora o círculo próximo a Paes se mantenha otimista quanto a essa possibilidade.
Outro político interessado em ocupar essa posição é o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, também do PP, que mantém diálogos frequentes com o prefeito da capital. A relação entre eles é complexa, especialmente após uma recente troca de farpas nas redes sociais entre Paes e Anthony Garotinho, pai de Wladimir. O cenário continua em movimento, e as articulações políticas prometem intensificar-se conforme as eleições se aproximam.
