Superação e Inclusão na Corrida de Reis
A Corrida de Reis, realizada neste domingo (11) no Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, não é apenas sobre pódios e cronometragens. Com mais de 15 mil corredores participando do evento, as histórias de atletas com deficiência (PcD) ressaltam a importância da inclusão, qualidade de vida e superação, que fazem parte dessa jornada. A categoria PcD, na maior corrida do Centro-Oeste, conta com 73 participantes, sendo 45 homens e 28 mulheres.
Um dos atletas que se destacou foi Daniel Silva do Nascimento, de 30 anos, um cuiabano que compete na categoria PcD e já participou da Corrida de Reis seis vezes. Para Daniel, correr é muito mais do que uma simples competição. “O que me motiva é qualidade de vida. Quando cheguei à cadeira de rodas, sempre procurei um esporte e encontrei na corrida e no basquete em cadeira de rodas uma nova paixão”, revelou.
Desde 2018, Daniel tem se dedicado à corrida de rua e, a partir de 2020, participa da Corrida de Reis. O atleta elogia a evolução da estrutura do evento, que promove a inclusão de pessoas com deficiência. “A estrutura é boa e faz a inclusão da pessoa com deficiência. Começar o ano assim, em uma corrida que motiva todos, é muito gratificante”, afirmou.
A preparação de Daniel é contínua, com treinos ao longo do ano, alternando entre academia e corridas na região da rodovia Emanuel Pinheiro, onde reside. Os resultados já são visíveis, refletindo o esforço em conquistar títulos. “Graças a Deus, tem dado certo. Temos conquistado vários títulos com esse trabalho duro”, destacou.
Nos 10 quilômetros, Daniel já alcançou um tempo de 36 minutos, dependendo das condições do percurso. Ele acredita que o novo trajeto da Corrida de Reis, por ser mais plano, favorece seu desempenho. “Quando o percurso tem muitas subidas, o tempo aumenta, mas este é leve. Treinei essa semana e consegui completar em 38 minutos, mas segurei o ritmo para não chegar com lesão”, explicou.
O apoio da família é fundamental para Daniel. “Minha família participa de todas as corridas. Eles sempre estão torcendo em algum ponto do percurso, o que me motiva muito”, disse emocionado.
Outra história inspiradora é a de Antônio Alves, conhecido como Tony Alves, de 50 anos, que vive em Várzea Grande e nasceu em Cuiabá. Esta é sua segunda participação na Corrida de Reis, após conquistar o segundo lugar na categoria em 2024. A motivação para correr surgiu dos próprios filhos, que ele incentivou a praticar atletismo. “Quando fiquei na cadeira de rodas, coloquei meus filhos para fazer atletismo. Eles cresceram e comecei a levá-los para as corridas. Aí pensei que eu também poderia participar para incentivá-los ainda mais”, contou.
Hoje, o esporte faz parte da rotina da família de Tony, com treinos na academia, uma alimentação equilibrada e participações em corridas pelo interior do estado, incluindo percursos de cinco e sete quilômetros. Na Corrida de Reis, ele corre acompanhado da família, que também participa do evento. “Minha filha caçula está trabalhando como árbitra, a mais velha vai correr e meu filho também. Vimos todos juntos para apoiar uns aos outros”, compartilhou com um sorriso no rosto.
Confiante, Tony já nutre expectativas em relação à prova. “Esperamos pelo menos o segundo lugar. O primeiro é complicado, porque meu parceiro é campeão, mas corrida é corrida”, concluiu, espalhando otimismo.
Sobre a Corrida de Reis 2026
A Corrida de Reis 2026 reúne atletas de 178 cidades de todo o Brasil, representando 21 estados e o Distrito Federal, além de competidores internacionais. Mato Grosso destaca-se com o maior número de inscritos: 14.251 atletas de 96 cidades, seguido por Rondônia e Mato Grosso do Sul.
Com uma das maiores premiações do atletismo nacional, o evento distribuirá R$ 40 mil para os campeões gerais, tanto masculino quanto feminino, além de troféus. Também haverá prêmios para a categoria PcD, faixas etárias e outras categorias, de acordo com as normas da Confederação Brasileira de Atletismo.
